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terça-feira, 12 de julho de 2016

O que distingue o povo de Deus?

"Então, lhe disse Moisés: Se a tua presença não vai comigo, não nos faças subir deste lugar. Pois como se há de saber que achamos graça aos teus olhos, eu e o teu povo? Não é, porventura, em andares conosco, de maneira que somos separados, eu e o teu povo, de todos os povos da terra?" (Ex 33.15-16).

Espiritualmente falando, o que distingue uma pessoa da outra? E quando pensamos coletivamente, o que distingue um grupo de pessoas de outro? Colocando em outras palavras, o que distingue o servo e o povo de Deus das demais pessoas? Convido você a refletir nisso comigo.
A expressão "homem de Deus", "mulher de Deus", "povo de Deus", "igreja de Deus", são muito comuns. Provavelmente todos nós já as ouvimos alguma vez. Mas, bíblica e verdadeiramente, o que é ser "de Deus"?
O livro de Êxodo foi escrito por Moisés, e qualquer que tenha um pingo de conhecimento bíblico sabe que Moisés foi um homem 'de Deus'. Os versos transcritos acima fazem parte do capítulo 33, que é um diálogo monumental de Moisés com Deus. Neste impressionante colóquio Moisés roga a Deus que acompanhe o povo na caminhada pelo deserto até a terra prometida, não retirando a Sua presença por causa do pecado do povo. Moisés fundamenta seu argumento que justificaria seu pedido com uma indagação muitíssimo esclarecedora. Ele diz: "Não é, porventura, em andares conosco, de maneira que somos separados, eu e o teu povo, de todos os povos da terra?". Atente bem para isso, pois é vital para nossa saúde espiritual. Moisés nos revela o que é que torna alguém povo de Deus, e o que é que torna o povo de Deus distinto dos demais. Ele afirma, na pergunta retórica dirigida a Deus, que ele e o povo israelita eram separados de todos os povos da terra. Como assim, separados? Separados por Deus para um propósito especial, o que Israel foi. Separados para manifestar o poder de Deus ao mundo, Sua Palavra e Seu Filho, o Messias. E Moisés, naquela ocasião, foi separado por Deus, dentre todo o Seu povo, para liderar. Mas esse 'ser separado' só se concretizava pelo fato de o Senhor andar com eles. Para Moisés, se o Senhor deixasse de andar com eles, então deixariam também de ser o povo de Deus separado dos demais; tornar-se-iam só mais um povo, mais uma etnia andando pela terra. É daí que vem a motivação para a oração de Moisés rogando pela presença do Senhor, dizendo: "Se a tua presença não vai comigo, não nos faça sair deste lugar". Pense por um tempo sobre esta frase dita por Moisés. Ele está com uma multidão no meio do deserto, abastecido e protegido milagrosamente pelo Senhor. Ele sabe que se o Senhor deixar de estar com eles, então não contarão mais com a provisão e proteção, e isso era sinônimo de condenar todo aquele povo à morte lenta e agonizante do deserto. Quando Moisés diz "nós não sairemos daqui se o Senhor não for conosco" ele está dizendo, em outras palavras, que prefere morrer no deserto do que viver por aí sem Deus! Ele está dizendo que a vida só teria sentido se Deus estivesse com eles. E afirma que é justamente essa presença do Senhor que os tornava diferentes, distintos de todos os demais povos da terra.
Agora olhemos para nossa própria vida. Nós também preferimos a morte antes de viver sem Deus? Será que amamos e desejamos tanto a presença de Deus conosco que escolheríamos a morte no deserto antes de nos arriscar a ser confundidos com um povo que não seja o povo de Deus? Ah, que fé, que paixão, que convicção Moisés demonstrou... E que fé nós temos vivido?
Ainda outra pergunta precisa necessariamente ser respondida aqui. Como é que podemos desfrutar da presença de Deus hoje em dia? Será que temos de fazer como Moisés, indo até o cume de algum monte para suplicar a Deus que vá conosco? Não! O que temos de fazer é crer em Jesus, nos submetermos a Ele sem reservas obedecendo-O, e assumir a Bíblia como nossa única regra de fé e prática. Veja o que Mateus escreveu no seu Evangelho, falando de Jesus: "Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, e ele será chamado pelo nome de Emanuel (que quer dizer: Deus conosco)" (Mt 1.23). Jesus é o Emanuel, o DEUS CONOSCO! Sim, Ele é Deus conosco! Portanto, todo aquele que está em Cristo tem o Deus Conosco! A presença de Deus não se aparta daqueles que são filhos de Deus, servos de Cristo, crentes Nele.
Podemos ainda questionar, cada um em sua própria mente e coração, se somos mesmo povo de Deus. Para ser povo de Deus a presença Dele deve ser mais desejada do que a própria vida! Para ser povo de Deus a distinção da presença Dele deve ser tangível, real e transformadora em nossa vida. E será que somos, então, povo de Deus?
Bom, se a honestidade do nosso coração nos conduzir a conclusão de que ainda não somos tão desejosos da presença de Deus quanto Moisés, a boa notícia é que isso pode mudar. Se você lê estas palavras agora, então significa que ainda há algum tempo suficiente para que ore suplicando ao Senhor que abra nossos olhos para o valor da Sua Santa presença, e então nosso coração se encherá de anseio pela companhia do Senhor de todo o universo.
Que Deus ajude os que vivem uma fé medíocre, que se contenta com qualquer coisa além de Sua presença. Que Ele estenda Sua paciência, misericórdia e graça sobre nossa vida, e vá conosco!

Deus abençoe.

quinta-feira, 30 de junho de 2016

Atenção, perdão e cura. Você quer?

"se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e me buscar, e se converter dos seus maus caminhos, então, eu ouvirei dos céus, perdoarei os seus pecados e sararei a sua terra" (IICr 7.14)

Este é um versículo muitíssimo conhecido da Bíblia. Ele é muito lembrado sempre que reuniões de oração e nas intercessões em favor da nação e das mazelas que afligem nosso povo. Faz sentido, pois, afinal de contas, é o verso onde "Deus promete sarar nossa terra".
O verso, que é um trecho da resposta que Deus dá à uma oração feita por Salomão no capítulo anterior (IICr 6.12-42), vem na solenidade de consagração do templo que acabara de ser construído, idealizado por Davi, edificado por Salomão.
O povo a quem Deus se refere é o que povo "que se chama pelo Nome Dele", isto é, o povo que invoca o Seu nome. É uma palavra para o povo de Deus, ou para aqueles que desejam tornar-se povo Dele.
No verso, Deus faz não só uma promessa, mas três. Ele diz que 1) ouvirá do céu a Seu povo; 2) perdoará seus pecados e 3) sarará sua terra. A primeira, Deus ouvir do céu as orações de Seu povo, é a promessa de que Sua boa vontade sempre estará à disposição, pois Ele estará sempre de prontidão para ouvir, Se importando com as causas do Seu povo. A segunda, referente ao perdão dos pecados, é a promessa de que haverá remissão para todo aquele que se achegar a Ele. A terceira, a cura da terra, é a restauração ecológica e climática da região, trazendo saúde, equilíbrio e sustento para Seu povo. Vemos isso no verso anterior, onde Deus resume todo um trecho da oração de Salomão, usando a escassez de chuva, pragas nas lavouras e pestes no meio do povo como exemplos de meios que Deus usa para disciplinar Seu povo pelos seus pecados. Portanto, a cura da terra é o resultado do perdão dos pecados, que é o resultado de Deus ouvir Seu povo.
Mas, para que isso aconteça, Deus impõe condições. A origem destas condições? - a oração de Salomão. Deus resumiu os atos de piedade que Salomão descreveu como iniciativas do povo de Deus quando em situações de crise, listando quatro condições para que as promessas sejam alcançadas: 1) o povo deveria se humilhar; 2) o povo deveria orar; 3) o povo deveria buscá-Lo e 4) o povo deveria se converter dos seus maus caminhos. Essa humilhação a que se refere Deus não é a humilhação que injuria, desacata, zomba e ultraja; essa é pecado (Mt 5.22; Lc 22.63; 23.35; At 2.13).
Essa humilhação que Deus pede é o reconhecimento da condição de culpado de pecado e seu consequente abatimento; é o humilhar-se reconhecendo-se indigno da bondade e bênção de Deus, pois o pecado afrontou Sua santidade e justiça; é a viva consciência da distância entre um pecador e Deus, e o peso esmagador da tristeza que essa distância causa, tanto em nós, quanto em Deus que nos ama; é o quebrantamento que nasce quando nos percebemos responsáveis pelas lágrimas do puro e gentil Criador; é a expressão do desespero da alma que, caindo em si, vê-se impotente e limitado por causa do pecado, e por isso mesmo é completamente dependente de Deus.
E como essa humilhação deve ser apresentada a Deus? Pela oração! Nesse verso, quando Deus exige que o povo ore, não fala de qualquer oração, mas daquela feita na humilhação, ansiando pelo perdão do Senhor. A oração é o modo pelo qual nossa humilhação se traduz em linguagem falada, redundando em súplicas e rogos diante do Deus de misericórdia e graça. Sem oração, não haverá perdão. Sem oração, não haverá cura.
Deus também exige que o povo O busque. Essa busca tem a ver com as motivações do coração. Até mesmo orações muito bonitas e eloquentes podem ser vãs se o coração não está adequadamente motivado. Tiago ensina que a motivação errada anula a oração (Tg 4.3; cf. Pv 15.8; 28.9). Buscar o Senhor é colocar todo o coração Nele, tornando-O nosso tesouro mais precioso (Jr 29.13; Mt 6.21). Reconhecer culpa e orar, mas sem colocar o coração bem motivado na busca pelo Senhor e a Sua justiça é, simplesmente, nadar, nadar, e morrer na praia (Mt 6.33; 15.8). Deus não Se deixa enganar por lábios lisonjeiros (Pv 7.21; 26.28), ou mesmo por lágrimas insinceras (Hb 12.17). Ele sonda os corações e esquadrinha a alma (Sl 139.1; Pv 21.2). Buscar ao Senhor é dispor o coração para encontrá-Lo!
A última exigência da lista do verso em questão é, praticamente, um efeito das três antecedentes. Deus pede que Seu povo se converta dos seus maus caminhos. Se converter dos meus caminhos é voltar, deixar de prosseguir por eles, assumindo outro rumo na vida. Aqueles que se assumem pecadores, até oram e parecem buscar ao Senhor, mas que não apresentam mudança no caminho que trilham estão enganados ou enganando, pois tudo isso é falso se não produzir tal mudança de caráter, de valores e de objetivos na vida.
Em suma, o que Deus está pedindo do Seu povo para que as promessas sejam liberadas sobre eles é que comecem, desenvolvam e completem o processo de conversão. Não basta admitir apenas um ou dois itens da lista, pois todos estão interligados. Deus nos ouvirá, nos perdoará e derramará cura sobre nossa terra quando a conversão provocar mudanças notáveis, quando o caminho mau for abandonado e o Caminho correto, que é Jesus (Jo 14.6) for trilhado.
E você? Já está neste processo? Se não, eis a hora! Deus quer nos perdoar e sarar...

Deus abençoe.
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* Você poderá ler mais sobre oração aqui: Como é a oração que Deus se agrada?
* Você poderá ler mais sobre conversão aqui: Arrependei-vos e convertei-vos!