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segunda-feira, 10 de outubro de 2022

Falsos profetas

“Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas, interiormente, são lobos devoradores” (Mt 7.15)

Falsos profetas e mestres sempre estiveram presentes ao derredor e dentro do povo de Deus; uma praga infesta que será extinta apenas com o retorno glorioso do Senhor dos senhores.

terça-feira, 6 de setembro de 2022

E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará

"Ditas estas coisas, muitos creram nele. Disse, pois, Jesus aos judeus que haviam crido nele: Se vós permanecerdes na minha palavra, sois verdadeiramente meus discípulos; e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará" (Jo 8.30-32)

    O vs. 32 do capítulo 8 de João é muito conhecido. Atualmente tem sido muito usado nas mídias sociais, inclusive em campanhas políticas; quase sempre fora do contexto em que Jesus disse tais palavras santas. O vs. 32 é o final de uma frase e deve ser compreendido como conclusão de um raciocínio iniciado no vs. anterior.

sexta-feira, 15 de julho de 2016

Honestidade

"pois o que nos preocupa é procedermos honestamente, não só perante o Senhor, como também diante dos homens" IICo 8.21

Honestidade: "1. qualidade ou caráter de honesto, atributo do que apresenta probidade, honradez, segundo certos preceitos morais socialmente válidos. 2. característica do que é decente, do que tem pureza e é moralmente irrepreensível; castidade". Assim define honestidade o dicionário[1]. Mas o que a Bíblia chama de honestidade?
A honestidade tem a ver com honra, com caráter, com dignidade, com ética, com consciência, seriedade e dignidade. Honestidade é a qualidade das pessoas de caráter reto, preocupadas em preservar a própria consciência livre de acusações, sejam externas ou internas, dos outros ou de si mesmos.
Na Bíblia a honestidade é filha da verdade, pois carrega o mesma DNA; são da mesma natureza, da mesma substância. A honestidade é um desdobramento prático da verdade; só é honesto quem tem gosto pela verdade. No Brasil, país assolado pela corrupção desde os primórdios como Nação Estado, a desonestidade, oposto da honestidade, é muito conhecida e qualquer adolescente conseguiria exemplifica-la citando um escândalo envolvendo políticos e um caso envolvendo colegas de escola. Isto porque a desonestidade está presente desde o colar na prova da escola até os bilhões desviados dos cofres públicos, e os desonestos já não se esforçam tanto para camuflar seu comportamento como antes; parece-me que simplesmente não se importam se a desonestidade é conhecida ou não.
Quem não conhece alguém que colou em uma prova? Pensou na escola, no primário? Não, meu amigo. Sabe onde a cola é mais presente? Nos cursos universitários! Quer saber qual minha fonte de informação para afirmar isto? Os próprios universitários! Converse com um deles, pergunte-o, e ele te dirá se estou mentindo. Eu, hoje pastor, tive colegas no seminário que colavam nas provas (minha cara está vermelha de vergonha agora, saiba disso). Que tipo de profissional será aquele que trapaceou durante boa parte do curso? Quem não conhece alguém que burlava alguma regra das brincadeiras quando criança para obter vantagem? Eu me lembro até de pais incentivando a desonestidade dos filhos nos jogos infantis, e que depois se gabavam de ter filhos "espertos". Quem não conhece algum amigo que, enquanto jovem, "ficava" com várias moças ao mesmo tempo, traindo as namoradas? E isso vale para as amigas também, pois desonestidade não tem nada a ver com gênero. Bom, espero ter aguçado tua memória e, triste e notalgicamente, lembrado-lhe de que a desonestidade sempre esteve do teu lado, senão dentro de ti.
No entanto, o que o apóstolo está afirmando é que, para o cristão, "o que nos preocupa é procedermos honestamente, não só perante o Senhor, como também diante dos homens". Cristão são preocupados com a questão da honestidade. Preocupação, aqui, é o cuidado permanente e atencioso de julgar o próprio comportamento para mantê-lo sempre honesto, tanto sob o crivo homens como o de Deus.
Tenho aprendido nestes 16 anos de caminhada cristã, e 5 de ministério pastoral, que existem muitos crentes com uma dificuldade enorme de lidar com o vício da desonestidade. Para alguns ser honesto é um desafio gigantesco, mesmo afirmando terem experimentado uma conversão ao Evangelho. Por que isso? A resposta completa para essa questão é mais complexa do que o espaço aqui me permite usar, mas percebo, no final, que vivemos numa sociedade viciada em faltar com a verdade, viciada em mentir e trapacear para resolver seus problemas e para obter vantagem. Demos até um apelidinho "carinhoso" para esse jeito de ser. Nós o chamamos de "jeitinho brasileiro". Não é lindo? Brasileiros não se apertam em situação nenhuma, nós sempre damos um "jeitinho". Sempre encontramos uma saída, como dizia o articulado personagem de Hanna-Barbera, o Leão da montanha, "Saída, pela esquerda", sempre que se via constrangido em alguma situação[2]. Somos uma sociedade viciada no "jeito mais fácil", entorpecida pela desonestidade. Somos uma sociedade onde a verdade é um item opcional, um acessório que nem tem tanto valor assim. Somos uma sociedade que ridiculariza a honestidade, só porque ela nos lembra da falta dela em nós mesmos. Somos uma sociedade que (des)aprendeu a determinar o que é honesto pelo "todo mundo faz", e não pelos valores éticos, morais e bíblicos (cf. Ex 23.2). Ruy Barbosa disse certa vez: "De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto". Teria sido Barbosa um profeta? Pergunto-me!
Mas tudo isso não muda o apelo do apóstolo: devemos ser honestos em assuntos espirituais e seculares, tanto diante de Deus quanto dos homens. A verdade é a aspiração do crente, sua motivação e seu fundamento. Fora da verdade não pode haver relação com Deus, pois Deus é a verdade (Jo 14.6). É a verdade que liberta (Jo 8.32), e não o jeitinho brasileiro. É a verdade que santifica (Jo 17.17), e não a opinião pública.
Desafio você, como o faço a mim mesmo, a sermos honestos. Nos desafio a permitir que a verdade seja nosso farol, nosso guia, pelo Espírito de Deus (Rm 8.14). Desafio a todo cristão que se despoje da desonestidade e do jeitinho brasileiro, para adotar em seu lugar o jeito de Deus. Desafio os pais cristãos a não educarem seus filhos para serem "espertos", mas para serem honestos, desde as brincadeiras e jogos, até às provas universitárias, para se tornarem adultos que dignifiquem o Evangelho de Cristo. Desafio os pais cristãos a disciplinarem os filhos por faltar com a verdade. Mas, para isso, os pais deverão dar o exemplo. Todos nós, cristãos, estamos submetidos a esses desafios desde que assumiram a Palavra de Deus como verdade e creram em Cristo como seu Senhor. Eu só os relembro, aqui, da responsabilidade que temos.
Que Deus nos ajude no meio dessa geração corrupta e perversa, amante dos prazeres e da desonestidade.

"Não há ninguém mais fácil de enganar do que um homem honesto; muito crê quem nunca mente, e confia muito quem nunca engana" Baltazar Gracián y Morales.
"Se o desonesto soubesse a vantagem de ser honesto, ele seria honesto ao menos por desonestidade" Sócrates.
"Nenhuma herança é tão rica quanto a honestidade" Shakespeare.

Deus abençoe.
______________________
[1] Dicionário eletrônico Houaiss, versão 3.0 de junho/2009.
[2] Se quiser saber mais sobre o personagem animado O Leão da montanha, de Hanna-Barbera, basta clicar aqui.

sexta-feira, 27 de maio de 2016

Só a verdade liberta!

Vivemos o tempo de uma sociedade imagética. O visual, a imagem, é super valorizada, e a estética muitas vezes suplanta a ética, como se as duas pudessem, de algum modo, existirem separadas. Pessoas, fatos, ideias e ideologias, conceitos e pré-conceitos, doutrinas, grupos sociais, filosofias, tudo é julgado sobre a pedra-de-toque da estética. Quero dizer com isso que a leitura que se faz das coisas tem sido superficial, epidérmica demais. Pouca preocupação e esforço são dedicados ao exame mais profundo das motivações, valores e moral por detrás do que os olhos veem. Aquilo que se pode ver ou ouvir conta com uma simpatia maior do que o que é intangível, invisível, conceitual.
Esse é um assunto por demais extenso para tratar aqui, mas quero me ater a apresentar um dos pais dessa sociedade imagética, o utilitarismo, que é uma concepção ética da filosofia liberal do séc. XIX que considera a boa ação ou a boa regra de conduta caracterizáveis pela utilidade e pelo prazer que podem proporcionar a um indivíduo e, em extensão, à coletividade. O utilitarismo acaba sendo uma variação de hedonismo, onde o prazer é o valor maior e o objetivo da existência. Mas, se o utilitarismo é um dos pais da sociedade imagética, o outro é o pragmatismo, ensinando que a validade de algo deve ser determinada pelo seu êxito prático.
Quando tudo isso é aplicado à religiosidade, liturgia e doutrina evangélica a mistura é muito perigosa. O valor de uma doutrina ou de uma prática é medido pelo "funciona ou não funciona". Se o resultado é aparentemente útil, dá algum prazer, e obtêm-se êxito, então "é de Deus". E isso não é de hoje, pois lá no Éden já houve alguém julgando pelo "assim funciona" e, sob a concupiscência dos olhos, julgando pela estética, abandonou a ética e a verdade e maculou a relação com o Criador (Gn 3.6).
O problema é a confusão notável que se observa entre a verdade e a praticidade, inclusive nas questões evangélicas. Qual o modo mais fácil de encher uma Igreja? Qual o melhor tipo de culto? Onde devemos investir o dinheiro dos dízimos? As respostas para essas e outras perguntas serão respondidas, na esmagadora maioria das vezes, não pela verdade, mas pela praticidade, pelo "assim funciona". Eu sei que esse iceberg que estou arranhando aqui é muito maior debaixo d'água, e carece de muita discussão para uma análise mais precisa de tudo isso, mas quero conduzir você a pensar comigo em dois textos bíblicos.
O primeiro está em Jo 10.40-42, que diz: "Novamente, [Jesus] se retirou para além do Jordão, para o lugar onde João batizava no princípio; e ali permaneceu. E iam muitos ter com ele e diziam: Realmente, João não fez nenhum sinal, porém tudo quanto disse a respeito deste era verdade. E muitos ali creram nele". O segundo texto que desejo que você reflita é Mt 7.21-23, onde lemos: "Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos, naquele dia, hão de dizer-me: Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniquidade".
Observe que no texto do apóstolo João lemos que João Batista não fez sinal algum, porém tudo quanto disse a respeito de Jesus era verdade. No texto do apóstolo Mateus vemos que muitos dos que fizeram muitos sinais não basearam-se na verdade, e Jesus só pode reconhecer o que é verdadeiro. Jesus não é utilitarista, como se pensasse: "Ah, o que vocês fizeram foi fora da verdade, mas no final das contas, funcionou né". Não! Para Jesus, os resultados, a estética, a forma das coisas, não tem valor maior do que a verdade. A verdade, para Jesus, é o maior valor, pois Ele não pode ir contra a verdade, porque é a própria Verdade (Jo 14.6; 17.17; IICo 13.8). Nas coisas de Deus vale mais a
verdade sem sinais do que sinais sem verdade. Vale mais ensinar a verdade do que milagres, pois é a verdade que liberta o homem (Jo 8.32, 36). Alguém pode ser curado, e ainda assim permanecer cativo. Alguém pode também continuar doente, mas ser liberto. Pergunto: qual seria melhor? A verdade é maior do que os sinais! Até o termo avivamento tem sido mais ligado aos sinais do que à verdade. Avivamento verdadeiro é quando a verdade torna-se o bem maior da Igreja, e não simplesmente a presença de sinais.
Eu não estou fazendo apologia a um cristianismo sem prática, pois o próprio texto de Mateus diz que entra no céu aquele que faz a vontade do Pai. Sem prática não há cristianismo. Tiago ensinou que a fé, ainda que ortodoxa, sem obras é morta (Tg 2.26). Estou fazendo apologia da verdade. A verdade deve fundamentar toda escolha, julgamento, método, prática, estratégia, objetivo, liturgia, absolutamente tudo. Se não é pela verdade, não é por Deus. Não devemos escolher pela aparência, julgar pela estética ou pelo politicamente correto, mas pela verdade, e essa verdade é Jesus e Sua Palavra (Jo 14.6, 17.17). Quando nos atemos à verdade, como João Batista o fez, obteremos os resultados santos que Deus mesmo nos dará, pois a verdade pregada por João resultou em que muitos creram nele [em Jesus]; enquanto a multidão de sinais feitas pelos que diziam Senhor, Senhor, rendeu apenas a perdição eterna para eles mesmos.
Que a verdade seja nosso fundamento, nosso objetivo, nossa pedra-de-toque. Que a verdade seja nossa mensagem, nossa luz, nosso norte. Que a verdade seja o árbitro do nosso coração, da nossa mente, das nossas escolhas. Que a verdade seja, enfim, a estética e a ética da nossa vida.

"As pessoas costumam amar a verdade quando esta as ilumina, porém tendem a odiá-la quando as confrontam" Agostinho
"Muitos homens odeiam a verdade, por amor daquilo que tornaram por verdadeiro" Agostinho
"Qualquer ensinamento que não se enquadre nas Escrituras deve ser rejeitado, mesmo que faça chover milagres todos os dias" Martinho Lutero
"Os homens, para serem verdadeiramente ganhos, precisam ser ganhos pela verdade" Charles H. Spurgeon

Deus abençoe.