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quarta-feira, 28 de setembro de 2022

O amor se esfriará de quase todos

“E, por se multiplicar a iniquidade, o amor se esfriará de quase todos. Aquele, porém, que perseverar até o fim, esse será salvo” (Mt 24.12-13)

Jesus falou estas palavras no Seu ensino sobre o princípio das dores, isto é, sobre as coisas que antecederão o Seu retorno e a consumação dos tempos (cf. vs. 3).

segunda-feira, 8 de agosto de 2022

O Maior Lamento do Pecador

Qual o maior lamento de um pecador?

Se for um pecador com remorso, ele dirá: "Ah, se eu pudesse voltar no tempo... Eu faria tudo diferente dessa vez!".

Se for um pecador temente a Deus, arrependido, ele dirá: "Ah, por que entristeci o meu Senhor! Ele é digno de toda minha obediência e santidade, mas eu pequei; contra Ele pequei!"

Percebe a diferença? Para o primeiro o peso do remorso vem do fato de suas escolhas terem dado errado. As coisas não terminaram como ele esperava. Para o segundo, entretanto, o peso do arrependimento vem do fato de ter desagradado ao Senhor, que é perfeitamente Bom e Santo.

Para um tudo gira em torno das suas próprias ações e de quem ele mesmo é. Para o outro tudo gira em torno de quem Deus é e de Suas ações.

O choro e o lamento de um pecador podem significar várias coisas. Para alguns, significa a consciência entristecida de um filho de Deus que pecou contra o Amado de sua alma; para outros, não passa de remorso, de uma frustração com os resultados obtidos pelas circunstâncias e escolhas. As razões para o lamento são bem diferentes então, não acha? 











segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Lucro ilícito e máfias...

"Ouvi isto, vós que tendes gana contra o necessitado e destruís os miseráveis da terra, dizendo: Quando passará a Festa da Lua Nova, para vendermos os cereais? E o sábado, para abrirmos os celeiros de trigo, diminuindo o efa, e aumentando o siclo, e procedendo dolosamente com balanças enganadoras, para comprarmos os pobres por dinheiro e os necessitados por um par de sandálias e vendermos o refugo do trigo? Jurou o SENHOR pela glória de Jacó: Eu não me esquecerei de todas as suas obras, para sempre!" Am 8.4-7

Nós vivemos num mundo que aprendeu a amar o dinheiro como se fosse eterno e divino; num mundo onde o lucro e os bens assumiram o lugar do Bem. Não há qualquer dúvida disso! E não é só nos países capitalistas, nem só na nossa época; isso vem desde os primórdios, quando Deus expulsou o homem do jardim perfeito.
Mas, no nosso tempo, envolvidos pelo capitalismo, pelo consumismo, pela obsessão pelo patrimônio e pelo lucro, no seio da geração de adoradores (não de Jesus, mas de Mamom[1]) em que vivemos, os cúmulos desvairados da ganância estão sendo alargados e agigantam-se de tal forma que a consciência humana, mesmo dos cristãos, está se tornando insensível aos pecados que competem à vida financeira e comercial, tão explicitados na Bíblia Sagrada que alegamos ser nossa única e suficiente regra de fé e prática (prática???)...
Veja o grito do profeta Amós, transcrito acima! Por favor, eu imploro, não se furte a lê-lo com muita calma! Agora me diga: quando foi escrito o livro do profeta Amós? Parece que foi hoje! Mas, de fato, ele o fez por volta de 760 a.C., a quase três mil anos! E o que ele está condenando tão veementemente? O enriquecimento ilícito, o lucro exagerado e a formação de máfias e quadrilhas para explorar a população, mormente o povo mais carente. Você já ouviu falar destes pecados? São coisas do passado? Não! São mais frequentes hoje do que em qualquer outra época da história.
Existem verdadeiras máfias, inclusive em nossa cidade. Comerciantes que praticam negócios com uma ética diametralmente oposta à ética cristã, embutindo lucros tão desmedidos nos serviços e/ou produtos oferecidos que certamente Jesus lhes pedirá contas! Regras de comércio completamente imorais, que afrontam tanto a inteligência do cliente quanto a Palavra de Deus. Cobra-se 300 por um, e 299 por meio, para forçar a compra do inteiro. Estoca-se o produto até que o preço de mercado suba às alturas, liberando-o então no mercado para potencializar os ganhos, mas lesando a população que carece do produto. A mentira como proposta de marketing, dizendo ao cliente que algo custa 100, quando na verdade custa 80, para vender por 90 e dizer que foi gentil e concedeu desconto! Isto é pecado! Deus cobrará isto! Deus jamais se esquecerá disto, para sempre!
Tenho certeza que muitos vão ler isto, e pensarão consigo: "Este pastorzinho não sabe como é viver do comércio. Ou você faz assim ou você quebra, perde tudo e vai à falência". Este certamente é o pensamento daqueles que fazem negócio sem Deus, sem fé, sem crer que Deus abençoa o negócio honesto e inteligente, operado pelos Seus servos que dão duro no trabalho, que estudam o mercado, que esforçam-se para negociar com qualidade e competitividade, mas sem abrir mão dos valores do Reino de Deus! E, aliás, eu faço negócio constantemente. Não do lado do vendedor, mas do lado do consumidor, do comprador, do contratante. Sou cliente, compro no mercado, contrato serviços. Sei o que é ser lesado. Sei o que é ser, literalmente, obrigado a pagar absurdo e descarado lucro, por necessidade do produto e/ou serviço. Então não me venha com essa de "ele não sabe de nada". Eu sei o que a Bíblia diz sobre este assunto! E você deveria saber também!

Que Deus nos abençoe e tenha misericórdia dos exploradores!

sábado, 24 de setembro de 2016

O Amor ao Dinheiro

"Porque o amor do dinheiro é raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e a si mesmos se atormentaram com muitas dores" ITm 6.10

A Bíblia afirma, categoricamente, que o amor do dinheiro é a raiz de todos os males. Devemos perceber que ela não diz que "o" dinheiro é a raiz de todos os males, mas "o amor" do dinheiro. O dinheiro, em si mesmo, pode não ser ruim. Na verdade, ele pode ser usado para muito bem. Mas, o amor ao (ou do) dinheiro, esse sim, é definitivamente a raiz de muitos males.
Devemos ter em mente, todavia, que Paulo está citando um provérbio popular corrente em seus dias, e não desenvolvendo uma teologia do pecado. Ele não quer dizer que o amor ao dinheiro é, literalmente, a raiz de todos os males, pois a Bíblia afirma, e Paulo sabia disso, que houve pecado antes mesmo do dinheiro existir. Ele está, isso sim, lançando mão de uma hipérbole proverbial, exagerando propositadamente o pecado da cobiça e da obsessão pelos bens materiais, que estava, inclusive, levando alguns falsos mestres a usar a fé para enriquecimento próprio.
De qualquer maneira, o amor ao dinheiro, aos bens materiais, ao status que ele pode trazer consigo, é a raiz de muitos dos males que percebemos no mundo, e isso é algo tão facilmente percebível, que acredito que ninguém discutiria essa afirmação.
O detalhe é que normalmente percebemos esse pecado só no outro, e não em nós mesmos. Aquele que está obcecado pelo dinheiro, ou por algo que ele traz, normalmente estará cego para essa realidade, e não terá consciência do pecado que o envolveu.
Cristãos devem libertar-se do amor ao dinheiro. Isso não acontece fazendo voto de pobreza, ou desfazendo-se de tudo o que temos, ou assumindo uma vida ascética. Isso acontece dispondo o coração para os valores do Reino de Deus, disciplinando a alma a buscar em primeiro lugar o Reino e Sua justiça. Só consegue se desprender do amor ao dinheiro aquele que aprender a dar mais valor em Cristo e Sua palavra do que nos bens desta terra.
Este é o desafio! Esta é a vontade de Deus para cada um de Seus filhos! Que consigamos viver neste mundo ganhando dinheiro de forma honesta, sóbria, justa e piedosa, usando-o sabiamente, para a glória de Deus e um viver digno e santo. Mas o coração do cristão deve estar preso aos valores do céu, e não nos da terra.

Que Deus nos abençoe!

sexta-feira, 15 de julho de 2016

Honestidade

"pois o que nos preocupa é procedermos honestamente, não só perante o Senhor, como também diante dos homens" IICo 8.21

Honestidade: "1. qualidade ou caráter de honesto, atributo do que apresenta probidade, honradez, segundo certos preceitos morais socialmente válidos. 2. característica do que é decente, do que tem pureza e é moralmente irrepreensível; castidade". Assim define honestidade o dicionário[1]. Mas o que a Bíblia chama de honestidade?
A honestidade tem a ver com honra, com caráter, com dignidade, com ética, com consciência, seriedade e dignidade. Honestidade é a qualidade das pessoas de caráter reto, preocupadas em preservar a própria consciência livre de acusações, sejam externas ou internas, dos outros ou de si mesmos.
Na Bíblia a honestidade é filha da verdade, pois carrega o mesma DNA; são da mesma natureza, da mesma substância. A honestidade é um desdobramento prático da verdade; só é honesto quem tem gosto pela verdade. No Brasil, país assolado pela corrupção desde os primórdios como Nação Estado, a desonestidade, oposto da honestidade, é muito conhecida e qualquer adolescente conseguiria exemplifica-la citando um escândalo envolvendo políticos e um caso envolvendo colegas de escola. Isto porque a desonestidade está presente desde o colar na prova da escola até os bilhões desviados dos cofres públicos, e os desonestos já não se esforçam tanto para camuflar seu comportamento como antes; parece-me que simplesmente não se importam se a desonestidade é conhecida ou não.
Quem não conhece alguém que colou em uma prova? Pensou na escola, no primário? Não, meu amigo. Sabe onde a cola é mais presente? Nos cursos universitários! Quer saber qual minha fonte de informação para afirmar isto? Os próprios universitários! Converse com um deles, pergunte-o, e ele te dirá se estou mentindo. Eu, hoje pastor, tive colegas no seminário que colavam nas provas (minha cara está vermelha de vergonha agora, saiba disso). Que tipo de profissional será aquele que trapaceou durante boa parte do curso? Quem não conhece alguém que burlava alguma regra das brincadeiras quando criança para obter vantagem? Eu me lembro até de pais incentivando a desonestidade dos filhos nos jogos infantis, e que depois se gabavam de ter filhos "espertos". Quem não conhece algum amigo que, enquanto jovem, "ficava" com várias moças ao mesmo tempo, traindo as namoradas? E isso vale para as amigas também, pois desonestidade não tem nada a ver com gênero. Bom, espero ter aguçado tua memória e, triste e notalgicamente, lembrado-lhe de que a desonestidade sempre esteve do teu lado, senão dentro de ti.
No entanto, o que o apóstolo está afirmando é que, para o cristão, "o que nos preocupa é procedermos honestamente, não só perante o Senhor, como também diante dos homens". Cristão são preocupados com a questão da honestidade. Preocupação, aqui, é o cuidado permanente e atencioso de julgar o próprio comportamento para mantê-lo sempre honesto, tanto sob o crivo homens como o de Deus.
Tenho aprendido nestes 16 anos de caminhada cristã, e 5 de ministério pastoral, que existem muitos crentes com uma dificuldade enorme de lidar com o vício da desonestidade. Para alguns ser honesto é um desafio gigantesco, mesmo afirmando terem experimentado uma conversão ao Evangelho. Por que isso? A resposta completa para essa questão é mais complexa do que o espaço aqui me permite usar, mas percebo, no final, que vivemos numa sociedade viciada em faltar com a verdade, viciada em mentir e trapacear para resolver seus problemas e para obter vantagem. Demos até um apelidinho "carinhoso" para esse jeito de ser. Nós o chamamos de "jeitinho brasileiro". Não é lindo? Brasileiros não se apertam em situação nenhuma, nós sempre damos um "jeitinho". Sempre encontramos uma saída, como dizia o articulado personagem de Hanna-Barbera, o Leão da montanha, "Saída, pela esquerda", sempre que se via constrangido em alguma situação[2]. Somos uma sociedade viciada no "jeito mais fácil", entorpecida pela desonestidade. Somos uma sociedade onde a verdade é um item opcional, um acessório que nem tem tanto valor assim. Somos uma sociedade que ridiculariza a honestidade, só porque ela nos lembra da falta dela em nós mesmos. Somos uma sociedade que (des)aprendeu a determinar o que é honesto pelo "todo mundo faz", e não pelos valores éticos, morais e bíblicos (cf. Ex 23.2). Ruy Barbosa disse certa vez: "De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto". Teria sido Barbosa um profeta? Pergunto-me!
Mas tudo isso não muda o apelo do apóstolo: devemos ser honestos em assuntos espirituais e seculares, tanto diante de Deus quanto dos homens. A verdade é a aspiração do crente, sua motivação e seu fundamento. Fora da verdade não pode haver relação com Deus, pois Deus é a verdade (Jo 14.6). É a verdade que liberta (Jo 8.32), e não o jeitinho brasileiro. É a verdade que santifica (Jo 17.17), e não a opinião pública.
Desafio você, como o faço a mim mesmo, a sermos honestos. Nos desafio a permitir que a verdade seja nosso farol, nosso guia, pelo Espírito de Deus (Rm 8.14). Desafio a todo cristão que se despoje da desonestidade e do jeitinho brasileiro, para adotar em seu lugar o jeito de Deus. Desafio os pais cristãos a não educarem seus filhos para serem "espertos", mas para serem honestos, desde as brincadeiras e jogos, até às provas universitárias, para se tornarem adultos que dignifiquem o Evangelho de Cristo. Desafio os pais cristãos a disciplinarem os filhos por faltar com a verdade. Mas, para isso, os pais deverão dar o exemplo. Todos nós, cristãos, estamos submetidos a esses desafios desde que assumiram a Palavra de Deus como verdade e creram em Cristo como seu Senhor. Eu só os relembro, aqui, da responsabilidade que temos.
Que Deus nos ajude no meio dessa geração corrupta e perversa, amante dos prazeres e da desonestidade.

"Não há ninguém mais fácil de enganar do que um homem honesto; muito crê quem nunca mente, e confia muito quem nunca engana" Baltazar Gracián y Morales.
"Se o desonesto soubesse a vantagem de ser honesto, ele seria honesto ao menos por desonestidade" Sócrates.
"Nenhuma herança é tão rica quanto a honestidade" Shakespeare.

Deus abençoe.
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[1] Dicionário eletrônico Houaiss, versão 3.0 de junho/2009.
[2] Se quiser saber mais sobre o personagem animado O Leão da montanha, de Hanna-Barbera, basta clicar aqui.

segunda-feira, 11 de julho de 2016

O Jesus irado

"E encontrou no templo os que vendiam bois, ovelhas e pombas e também os cambistas assentados; tendo feito um azorrague de cordas, expulsou todos do templo, bem como as ovelhas e os bois, derramou pelo chão o dinheiro dos cambistas, virou as mesas e disse aos que vendiam as pombas: Tirai daqui estas coisas; não façais da casa de meu Pai casa de negócio. Lembraram-se os seus discípulos de que está escrito: O zelo da tua casa me consumirá" (Jo 2.14-17).

Para a maioria das pessoas essa passagem bíblica destoa completamente do restante, pois mostra Jesus expulsando do templo em Jerusalém os vendedores e cambistas de uma forma nada gentil. Jesus, famoso pela serenidade e símbolo de paz e amor, nesse caso aparece com um chicote na mão, correndo pelo templo, derrubando mesas e, provavelmente, gritando feito um louco com a multidão de negociantes. Que cena mais inusitada!
Essa é uma dificuldade muito comum nas pessoas do nosso tempo. Elas acham muito complicado pensar em Jesus como alguém que sente ira em alguma situação. Na verdade, a ira de Deus é um estorvo para a maioria das pessoas que, iludidas pelo "canto da sereia" da tradição religiosa, lidam com Deus como se Ele fosse um 'vovô manteiga derretida', e não um Pai zeloso. Ah, se a Bíblia fosse a formadora de opinião do povo!
O insólito episódio registrado pelo apóstolo João no seu Evangelho mostra um Jesus desconhecido pela maioria, mais preocupado com o zelo pelas coisas do Pai do que no 'politicamente correto'. Ninguém que buscava a aprovação do povo faria uma coisa daquelas, parecendo um maluco. Se um mestre religioso quisesse realmente cair na graça do povo não deveria, jamais, sair derrubando as barraquinhas de camelôs no local mais movimentado da cidade. Mas, em contrapartida, Jesus contrariou todas as expectativas humanas quando fez o povo lembrar de que a verdade de Deus e a adoração a Ele devida não podem ser um negócio, um comércio.
Quando o Jesus bíblico é pregado e anunciado, a reação de muitos dos ouvintes é manifestar algum tipo de fiapo de esperança no 'Deus manteiga derretida', que Ele nunca faria algo como punir ou castigar, muito menos enviar alguém para o inferno. Não, Ele ama todas as pessoas, e por isso mesmo vai dar um jeito de salvar todas elas, e no fim todo mundo vai pro céu... Oba!!! Daí percebemos que temos de dar a má notícia antes da boa nova do Evangelho, esclarecendo que o pecado humano desperta a ira de Deus, e que agir como se Ele não tivesse força e autoridade para punir o pecado é um erro crasso e extremamente perigoso.
O zelo de Deus pela Sua obra na terra e pelo Seu povo são tão intensos que o profeta Zacarias disse que quem toca nos servos de Deus toca na "menina dos olhos de Deus" (Zc 2.8, cf. Sl 17.8).
Dizer que atualmente muitas "igrejas" são verdadeiras lotéricas, casas de câmbio espiritual e, ouso dizer, verdadeiros prostíbulos, não choca mais ninguém, é fato notório, é chover no molhado. Se as pessoas vão nesses lugares para tentarem a sorte, dando algo para, quem sabe, receber um prêmio em troca, então isso é uma loteria. Se as pessoas vão nesses lugares para fazerem uma troca com Deus, onde elas dão dinheiro ou serviço em troca de alguma bênção, então esse lugar é uma casa de câmbio. Se as pessoas vão nesses lugares para sentirem prazer, mas sem que isso as envolva em um compromisso para toda a vida e que exija delas exclusividade e fidelidade, então o nome desse lugar é prostíbulo.
Jesus está irado com muita gente. Sim, o mesmo Jesus gentil, sereno, Príncipe da Paz, está tremendamente irado com muitos desses lugares que chamam a si mesmos de "igreja", e que fazem uso do Seu Nome santo, mas só para lucro e benefício próprio. E não nos enganemos, pois de Deus não se zomba (Gl 6.7). Haverá o dia em que Jesus não suportará mais o descaso e a afronta, e sairá com seu azorrague a derrubar as mesas dos profissionais da fé. Nesse dia haverá muito choro e ranger de dentes.
Tome cuidado, meu irmão. Tome muito cuidado! Não se deixe levar pelo espírito desse tempo e pela leviandade comum das novas gerações. Trate Deus como Pai e com intimidade, mas jamais se esqueça de Quem Ele é, o Deus eterno. Nem se esqueça da reverência e ordem que Ele exige de nós no trato com Sua obra. Atente para a seriedade de Deus, e tudo te irá bem. Abomine a futilidade e leviandade, pois maldito é aquele que faz a obra do Senhor relaxadamente (Jr 48.10). O Senhor é bom para com todos, e ama a todos, sem exceção. Mas a medida do pecado do povo está se enchendo e chegará ao limite em breve (Gn 15.16; 18.20; cf. Tg 1.21). Mas aqueles que creem em Jesus e observam os Seus mandamentos, que O amam (Jo 14.21), e se dedicam ao trabalho do Senhor (ICo 15.58) serão salvos.

Deus abençoe.

sexta-feira, 8 de julho de 2016

A longanimidade de Deus

"O Senhor é misericordioso e compassivo; longânimo e assaz benigno. Não repreende perpetuamente, nem conserva para sempre a sua ira. Não nos trata segundo os nossos pecados, nem nos retribui consoante as nossas iniquidades. Pois quanto o céu se alteia acima da terra, assim é grande a sua misericórdia para com os que o temem" (Sl 103.8-11).

Que trecho da Bíblia! Que declarações mais impressionantes, você não acha?
De todos os atributos de Deus, e são muitos,  todos admiráveis e perfeitos, o que mais me encanta é a longanimidade de Deus. É sobre que quero refletir hoje.

O que é longanimidade?
Longanimidade é a "virtude de se suportar com firmeza contrariedades em benefício de outrem; magnanimidade, generosidade; paciência, resignação com que se suportam contrariedades...; disposição, constância de ânimo"[1]. Quando a Bíblia diz que Deus é longânimo está se referindo à paciência e ânimo que Deus tem para com os pecadores. É a qualidade do amor de Deus que o faz suportar generosamente nossa condição de seres falhos, expondo Sua magnanimidade gloriosa.

Pensando na longanimidade de Deus
Nas minhas elucubrações, geralmente pelas madrugadas, quando tudo silencia e o ritmo frenético do dia dá uma trégua, é quando prefiro fazer meus devocionais e falar mais calmamente com meu Deus e Senhor. Quando isso acontece, este atributo de Deus, Sua longanimidade, sempre encontra um jeitinho de permear meus pensamentos e reclamar minha atenção, e quando me dou por mim lá estou eu de novo, tomado de assalto pelo sentimento de gratidão a Deus por me suportar mais um dia, por ter tido paciência comigo, por ter me tolerado na estranheza do meu ser, por ter se lembrado de mim em todo o tempo, ainda que eu possa tê-Lo magoado em alguma circunstância. Pensando nisso, e orando, sou completamente envolvido por uma sensação de indignidade e pequenez, pois percebo que não sou digno de um tão perfeito e grandioso amor e longanimidade. Uma consciência de imperfeição e limitação preenche meu coração e inunda minha mente, de forma que só consigo orar pedindo ao Senhor que não retire de sobre mim Sua longanimidade santa, manifestação de Sua maravilhosa graça misericordiosa e assaz benigna. Ah Deus, tem piedade de mim! Estenda ainda por um pouco mais a tua longanimidade sobre este teu servo, tão indigno do Seu amor sem fim e da paciência que demonstras para ele, pois se aproxima o tempo em que me aperfeiçoarás por completo, e não mais falharei contigo. Faze-me lembrar sempre desse dia glorioso, quando arrancarás o pecado dos meus membros e, então, serei perfeito aos teus olhos, e só te darei alegrias. Essa é minha oração no fim das noites.
Eu sei que isso soa um pouco melancólico, meio down, meio auto-estima baixa. Mas não é isso. Mesmo nessas horas a consciência do meu valor aos olhos de Deus não me deixa. Não, pelo contrário! Quanto mais me sinto indigno do Seu amor para comigo, mais também me sinto valorizado pelo Ser que, em Sua soberania e auto-suficiência, poderia simplesmente se livrar de mim. Porém, Ele resolveu me amar, salvar e santificar, e isso mostra o valor que tenho aos Seus olhos. Todavia, esse valor não O obriga a ter toda a paciência que tem comigo, e é isso que me encanta, me maravilha, me emociona, me surpreende todo santo dia.
Deus não põe 'pano quente' no pecado. Ele não 'cobre o sol com peneira', fazendo 'vista grossa' quanto à pecaminosidade humana. Quando o texto diz que Deus "não nos trata segundo os nossos pecados, nem nos retribui consoante as nossas iniquidades", não está dizendo que Deus não faz questão de punir o pecado ou que Ele simplesmente não liga se pecamos ou não. A Bíblia ensina que Deus leva o pecado tão a sério que Jesus morreu por causa dele (Jo 1.29; Hb 10.12; IPe 2.24; 3.18). O que o salmista está cantando no salmo 103 é que a longanimidade de Deus faz com que Sua ira santa e justa contra o pecado seja por um tempo detida pela Sua misericórdia e compaixão. Deus poderia, ao pecarmos, nos punir imediatamente, mas nem sempre o faz. Ele conta o pecado, mas espera pelo nosso arrependimento e conversão até o último instante possível, e é isso que o salmista está belamente cantando, extasiado com a paciência de Deus. Não é a negligência, mas a benignidade longânima de Deus que impressiona o salmista, e a mim também. Já pensou se Deus nos desse em retribuição imediata ao pecado aquilo que ele merece? Estaríamos todos fadados à morte (Rm 6.23). Sim, o pecado mata! Mas é a longanimidade de Deus que proporciona ao homem a oportunidade de responder à Sua graça salvadora pela fé.
Não sei se consegui me fazer claro aqui, mas que fique registrado que é muito clara para mim a longanimidade de Deus, e que conto com ela para viver mais um dia, mais uma hora, mais um minuto... Ai de mim, se não fosse a longanimidade de Deus!!!
Oh Deus, de eterna bondade e graça, tem misericórdia desse pecador, que não merece Teu perdão, muito menos Tua santa e preciosa atenção. Nos méritos de Teu Filho, Jesus Cristo, eu me apego, eu me agarro, eu me escoro, para poder encontrar no Teu amor perfeito lugar, em Cristo, para esconder-me, até que esteja contigo pela eternidade nos céus, diante do Teu trono. Estende por um mais um dia Tua paciência sobre mim, pois de outra maneira estarei condenado. Penso, Senhor, onde estaria eu, se não tivesse Tua salvação me alcançado? Onde estaria eu, não fosse Tua longanimidade sobre mim? Ah, perecido estaria, e condenado às recâmaras do inferno, amaldiçoado eternamente por estar separado de Ti, que é a própria vida! Mas, desde que fui encontrado por Ti, e Teu Evangelho escrito nas tábuas do meu coração, e Teu Espírito fez de mim Seu templo, então tudo mudou. E isso só foi possível por causa da dilatada paciência que tiveste comigo no tempo da minha ignorância, quando eu não Te conhecia, e vivia segundo o curso deste mundo, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos. Por isso, eu Te louvo, e Te agradeço, porque tiveste paciência comigo, a mesma que peço que continue dispensando a este teu servo, tão pequeno e frágil, que precisa de Ti a todo instante para fazer Tua preciosa vontade. Guarda-me Senhor!

Deus abençoe.
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[1] Dicionário eletrônico Houaiss, versão 3.0.

sexta-feira, 1 de julho de 2016

O que é arrependimento?

"se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e me buscar, e se converter dos seus maus caminhos, então, eu ouvirei dos céus, perdoarei os seus pecados e sararei a sua terra" (IICr 7.14)

Para alguém que se preocupa com os assuntos espirituais, receber o perdão dos pecados é uma preocupação inevitável e digna de muita atenção e cuidado. Basta uma noção intuitiva do caráter de Deus para saber que Ele desaprova o pecado e exigirá justiça reparadora sobre todo pecador. Então o texto acima chama muito a atenção de pessoas assim, preocupadas com sua saúde espiritual e seu relacionamento com Deus. Isso porque o texto diz explicitamente que Deus perdoará os pecados, e isso salta aos olhos já na primeira leitura. Imagine só, se eu tiver meus pecados todos perdoados... então eu poderia entrar na presença de Deus sem nenhuma dificuldade, pois seria santo e agradável aos olhos e ouvidos do Santo dos Santos, o Deus Eterno. Isso não atrai teus olhares também? Pois bem, vejamos então o que mais o texto fala sobre isso.
Na postagem anterior, de ontem, falei sobre esse mesmo versículo da Bíblia, refletindo sobre as quatro exigências que Deus faz e as três promessas subsequentes. Hoje farei diferente. Vamos aglutinar as três primeiras exigências, a humilhação, a oração e a busca por Deus, num ato único. Depois falaremos sobre a conversão dos maus caminhos. Por que fazer assim? Porque quero fazer um paralelo desse versículo com At 3.19, que também já trabalhei em outra postagem. Veja a semelhança entre eles:
"se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e me buscar, e se converter dos seus maus caminhos, então, eu ouvirei dos céus, perdoarei os seus pecados e sararei a sua terra" (IICr 7.14).
"Arrependei-vos, pois, e convertei-vos para serem cancelados os vossos pecados" (At 3.19).
Conseguiu perceber? Na Bíblia, arrependimento não é um choro triste ou remorso. Arrependimento é um termo que funciona como uma cápsula que, dentro dela, encontram-se alguns ingredientes chamados humilhação, oração e busca por Deus. Eu creio piamente que Pedro quis, no seu discurso, citar o texto de IICr 7.14, mas usou uma forma compacta, onde chamou arrependimento os três primeiros elementos para alcançar o perdão dos pecados.
Vemos também que não é possível haver conversão sem o arrependimento, e não é arrependimento se não existir seus três elementos básicos. E sem conversão não há perdão de pecados. A conversão é o efeito do arrependimento, seu resultado. É a mudança de vida que segue o arrependimento verdadeiro.
Julgo muito importante saber disso, pois vivemos num tempo onde muitos têm pregado um arrependimento apenas das emoções, sem o envolvimento das decisões, ações e caráter. Ir a um culto, show, palestra, congresso, seja o que for, e chorar ouvindo um pregador bastante entusiasmado e dramático, assistir alguns vídeos comoventes, tudo isso ao som de músicas e melodias repetitivas, que afetam mais o inconsciente do que a consciência, quase como uma mensagem subliminar para afetar emoções, não é arrependimento! Arrependimento é algo dolorido, pois ele rasga o coração e dilacera o ego. Arrependimento é quando a espada do Espírito, que é a Palavra de Deus, penetra o coração do homem cortando e ferindo, expondo toda a sujeira até então entulhada nos cantos mais sombrios da alma. Arrependimento é quando essa Palavra nos confronta e nos faz ver-nos do avesso, olhando para dentro de nós mesmos, e o que vemos é algo pavoroso, grotesco, que nos provoca asco e terror, principalmente em Deus, e isso nos causa sentimentos de desprezo por quem e o que estávamos sendo diante de Deus até aquele momento. Arrependimento é ver, no meio de todo esse caos e horror moral e espiritual, a luz de Deus brilhar lá no fundo, apontando para a esperança da fé, orientando a consciência para a tomada de uma decisão pensada, firme, decidida e iluminada na direção do ser humano que Deus quer que eu seja. Vendo-me por dentro, olho para Cristo, o padrão perfeito de ser humano, e sou humilhado. Ao mesmo tempo, olho para Cristo, e decido segui-Lo em obediência e submissão sinceras, isso, meu querido(a) irmão(ã), é arrependimento. É quando isso acontece, sem maquiagem, sem máscaras, que Deus libera prazerosamente Sua graça perdoadora, que nos traz refrigério e alívio sem igual, e nos faz perceber que, apesar de tão distantes do ideal, Ele nos ama tão profundamente que é capaz de nos perdoar, salvar e santificar.
Você já teve essa experiência? Já foi tão confrontado pela verdade de Deus na Sua Palavra que ficou com nojo da pessoa que era sem Ele em tua vida? Já foi tão confortado pela Palavra de Deus que chegou a sentir-se indigno de tanto amor e bondade? Já foi tão convencido ao amor e do poder transformador de Deus que entregou-se total e incondicionalmente a Ele? Pois eis o dia! Eis a hora! Pode faze-lo agora mesmo! Arrependa-se e converta-se, e Deus perdoará teus pecados e mudará tua história...

Deus abençoe.

sexta-feira, 24 de junho de 2016

Você quer ficar rico?

"Porque nada temos trazido para o mundo, nem coisa alguma podemos levar dele. Tendo sustento e com que nos vestir, estejamos contentes. Ora, os que querem ficar ricos caem em tentação, e cilada, e em muitas concupiscências insensatas e perniciosas, as quais afogam os homens na ruína e perdição. Porque o amor do dinheiro é raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e a si mesmos se atormentaram com muitas dores" (ITm 6.7-10).

A ganância é um pecado seríssimo. O desejo desmedido, exacerbado de ter e acumular riquezas nesta terra é uma armadilha antiga na qual os homens tem caído, e o diabo é mestre em arma-la. O desejo de ficar rico tem sido a mola mestra do mundo a muito tempo e, embora o capitalismo tenha lucrado com esse desejo humano, os sistemas econômicos são apenas efeitos, quando a causa encontra-se internalizada na natureza humana, caída, pecaminosa.
A riqueza não é pecado. Alguns homens de Deus, na Bíblia, foram ricos. Abraão (Gn 13.2); Jacó (Gn 30.43); Jó (Jó 1.3); Salomão (Ec 2.8); Josafá (IICr 18.1); José, de Arimatéia (Mt 25.57). O pecado não é possuir muito dinheiro, mas desejá-lo. O apóstolo Paulo disse não que os ricos caem em tentação, mas disse que os "que querem ficar ricos caem em tentação". É o desejo de ficar rico que Deus está tratando no texto, e não a riqueza.
Por que Deus, pelo apóstolo, se preocupa em alertar os crentes de tal perigo do desejo de enriquecer-se? Porque esse anseio pode cegar facilmente uma pessoa, e tirar-lhe o foco do que realmente importa na vida. O texto diz que tentação, cilada, concupiscência insensata e perniciosa, isto é, desejos desajuizados e nocivo, afogam os homens na ruína e na perdição. Poucas declarações são tão clara e visivelmente observadas na vida. A corrupção na política, por exemplo, é uma das maiores provas da verdade desse texto. O desejo de ficar rico é uma tentação implacável para os políticos, e as ciladas são muitas no âmbito do poder. As concupiscências perniciosas os levam a cometer crimes e insensatez de todo tipo, sempre para obter poder e dinheiro. Além da política, outro exemplo facilmente observado é o dos religiosos ávidos por dinheiro, que fazem da fé e da piedade fonte de lucro, e este é, justamente, o assunto do contexto que Paulo está tratando aqui. Há também que se case por dinheiro; mate por dinheiro; ... até finja que não viu o troco a mais por amor ao dinheiro...
O argumento do apóstolo está baseado no fato de que nada trouxemos para este mundo e nada também levaremos dele, no que tange às riquezas desta vida. Por isso, o incentivo é a um estilo de vida simples: "tendo sustento e com que nos vestir, estejamos contentes". Paulo não está dizendo que voto de pobreza é necessário ao cristão. Não, ele está dizendo que o cristão não deve colocar seu coração nas riquezas, ao mesmo tempo que deve ser grato e saber viver contente com o que possui; vestuário e alimento ilustram as necessidades básicas. E aí é outro problema muito comum. Há muitas pessoas que não conseguem ser gratas pelo que tem, pois seu coração e seus olhos estão sempre fitos no que ainda não tem. Lamentam e murmuram por causa da sua "pobreza" e da riqueza que não possuem, perdendo a oportunidade santa de agradecer por terem o que Deus já concedeu. Sempre veem o que falta, nunca o que já possuem. Pessoas assim podem até chegar à riqueza que sonharam, mas perderão sua alma no caminho. Paulo diz que esse desejo, que é maligno, "afoga os homens na ruína e perdição". Quem é seduzido pela riqueza deste mundo para servi-la e cultua-la, torna-se idólatra: "Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de aborrecer-se de um e amar ao outro, ou se devotará a um e desprezará ao outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas" (Mt 6.24). Idólatra é todo aquele que inverte as prioridades que Deus estabeleceu, "buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas" (Mt 6.33). Buscam primeiro as demais coisas, deixando o reino e a justiça de Deus para serem acrescentadas. Idólatras não entrarão no céu (ICo 6.9; Ap 21.8; 22.15).
"O amor do dinheiro é raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e a si mesmos se atormentaram com muitas dores". Desviar-se da fé cristã por amor ao dinheiro é basicamente falar o óbvio, mas além disso Paulo acrescenta que se atormentam com muitas dores os que passam a amar as riquezas deste mundo. Sofrimentos e perdas esperam por aqueles que caem na cilada do desejo de ficar rico, e devemos evitar isso. Na verdade, embora a Bíblia não condene o ser rico, mas o amor à riqueza, ela também recomenda que os servos de Deus tenham um estilo de vida simples (note que eu não disse estilo de vida pobre ou miserável, mas simples), que não busca algo além do necessário para a dignidade da vida na terra[1]. "A riqueza apresentava problemas para a igreja primitiva, e recebeu, muitas vezes, a atenção dos escritores cristãos"[2].
E você? Como tem lidado com a riqueza deste mundo? Tem sido grato pelo que tem? Tuas prioridades estão alinhadas com as de Deus?

Deus abençoe.
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[1] Se quiser ler mais sobre estilo de vida simples, ou teologia da simplicidade, recomendo fortemente a leitura do seguinte livro: Stott, John W. R. O Discípulo Radical. Viçosa, MG: Ultimato, 2011. Poderá também ler os seguintes livros de Richard Foster: A Liberdade da Simplicidade e também Celebração da Disciplina.
[2] Allen, Clifton J., ed. ger. Comentário Bíblico Broadman: Novo Testamento. Vol 11. 2. ed. Rio de Janeiro, JUERP, 1988. p. 401.

sábado, 18 de junho de 2016

Arrependei-vos e convertei-vos...

"Arrependei-vos, pois, e convertei-vos para serem cancelados os vossos pecados" (At 3.19)

A frase acima foi falada pelo apóstolo Pedro no seu discurso no templo de Jerusalém, logo após ele e o apóstolo João curarem um coxo de nascença que esmolava à porta do templo. Pedro, cheio do Espírito Santo, prega um sermão magnífico, cheio de poder e ousadia, dentro do templo dos judeus, sobre como estes próprios judeus negaram Jesus como Messias, como o Santo e Justo, matando o Autor da Vida. Muita coragem e fé foram necessários para proclamar tal mensagem em tal lugar, para tal público.
Mas, dentro dessa obra prima da pregação cristã bíblica que foi este segundo sermão de Pedro depois da descida do Espírito Santo no Pentecoste (At 2), creio que o verso supracitado é o coração da mensagem cristã, o chamado ao arrependimento e à conversão para o cancelamento dos pecados. Qual pecado? De todos, sem dúvida. Pedro coloca o termo no plural, "pecados", propositadamente, incluindo toda a vida vivida até o momento em que se ouve este chamado. Mas, há o pecado que faz solidário todo ser humano ao seu semelhante, que é o pecado de ter negado Jesus e tê-lo "matado", como os judeus naquele sermão petrino. Sabemos que Jesus deu Sua vida espontaneamente, pois, verdadeiramente, ninguém poderia tê-lo matado se Ele mesmo não quisesse entregar-se, leia: "Por isso, o Pai me ama, porque eu dou a minha vida para a reassumir. Ninguém a tira de mim; pelo contrário, eu espontaneamente a dou. Tenho autoridade para a entregar e também para reavê-la. Este mandato recebi de meu Pai" (Jo 10.17-18). No entanto, também sabemos pela Bíblia que só foi necessário que Jesus se doasse espontaneamente por causa dos nossos pecados: "graça a vós outros e paz, da parte de Deus, nosso Pai, e do nosso Senhor Jesus Cristo, o qual se entregou a si mesmo pelos nossos pecados, para nos desarraigar deste mundo perverso, segundo a vontade de nosso Deus e Pai" (Gl 1.3-4 [1]). Ora, nossa conclusão óbvia é que, se todos pecaram (Rm 3.23), com exceção do próprio Jesus (Hb 4.15), e Jesus entregou-Se pelos pecados, logo eu também sou responsável pela necessidade da morte de Jesus, embora não o seja pela decisão Dele de entregar-Se para me salvar. Jesus decidiu entregar-Se por amor ao Nome de Deus e Sua glória e por amor aos homens perdidos[2], mas a necessidade da Sua morte encontra motivo no meu pecado. Assim, eu também matei Jesus, por extensão do sentido, sendo enquadrado no sermão de Pedro.
Já que todo ser humano é alvo do sermão de Pedro, percebe-se que a chamada ao arrependimento e conversão não é exclusiva para judeus, mas dirigida a todo homem e mulher, sem distinção qualquer, pois todos pecaram, e os pecados só podem ser cancelados por Jesus, mediante arrependimento e verdadeira conversão.
Arrependimento, na Bíblia, não é remorso, mas um reconhecimento do pecado acompanhado de firme e consciente decisão de abandoná-lo; esse arrependimento manifesta-se na confissão sincera e franca dos pecados (Pv 28.13; IJo 1.9). Conversão, conforme Pedro nos convoca, é, no Novo Testamento, o arrependimento somado à fé em Jesus Cristo, expressados pela confissão do Seu senhorio (Rm 10.9) e uma entrega, sem reservas, da vida toda a Ele para segui-Lo e obedecê-Lo[3]. Essa conversão e confissão de fé aceitas por Jesus Cristo, que efetivam o cancelamento dos pecados é que o Novo Testamento chama de salvação[4].
Concluímos, então, que só é possível livrar-se do pecado e dos seus efeitos através de verdadeiro arrependimento e genuína conversão a Cristo. Portanto não há, sob qualquer hipótese, salvação fora de Cristo[5]!
E você? Já se arrependeu dos pecados e se converteu a Jesus? Se não, eis o tempo, eis a hora! Tome já está decisão lançando-se aos pés Daquele que pode salvá-lo, Jesus, o Cristo de Deus!

Deus abençoe.
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[1] cf. também Is 53.5-10; Jo 1.29; Gl 2.20; Ef 5.2, 25; Hb 9.28; IPe 2.24; 3.18; IJo 3.5.
[2] Mt 10.22; 19.29; Jo 3.16; 14.13; Rm 5.8; IITs 1.12; IJo 4.19; Ap 2.3.
[3] Mt 16.24; Jo 12.26; Rm 6.16; 15.18; Hb 5.9; IPe 1.2; IJo 2.6.
[4] Lc 19.9; Rm 10.9; Fp 2.12; Hb 2.3; IPe 1.9. O próprio Jesus e o Seu Evangelho são chamados de salvação no Novo Testamento (Lc 2.30; Jo 4.22; At 28.28; Rm 1.16; Ef 1.13).
[5] Jo 14.6; At 4.12; Ef 2.13; ITm 2.5; IITm 2.10.

domingo, 12 de junho de 2016

Vá e não peques mais!

"Jesus, entretanto, foi para o monte das Oliveiras. De madrugada, voltou novamente para o templo, e todo o povo ia ter com ele; e, assentado, os ensinava. Os escribas e fariseus trouxeram à sua presença uma mulher surpreendida em adultério e, fazendo-a ficar de pé no meio de todos, disseram a Jesus: Mestre, esta mulher foi apanhada em flagrante adultério. E na lei nos mandou Moisés que tais mulheres sejam apedrejadas; tu, pois, que dizes? Isto diziam eles tentando-o, para terem de que o acusar. Mas Jesus, inclinando-se, escrevia na terra com o dedo. Como insistissem na pergunta, Jesus se levantou e lhes disse: Aquele que dentre vós estiver sem pecado seja o primeiro que lhe atire pedra. E, tornando a inclinar-se, continuou a escrever no chão. Mas, ouvindo eles esta resposta e acusados pela própria consciência, foram-se retirando um por um, a começar pelos mais velhos até aos últimos, ficando só Jesus e a mulher no meio onde estava. Erguendo-se Jesus e não vendo a ninguém mais além da mulher, perguntou-lhe: Mulher, onde estão aqueles teus acusadores? Ninguém te condenou? Respondeu ela: Ninguém, SENHOR! Então, lhe disse Jesus: Nem eu tampouco te condeno; vai e não peques mais" (Jo 8.1-11).

Este episódio registrado no Evangelho do apóstolo João nos ensina algumas lições preciosas. Vejamos:

O valor da graça.
Não devemos nos precipitar em acusar pecadores, sem lembrarmos que nós mesmos também pecamos. Os acusadores da mulher foram maldosos ao trazê-la para ser apedrejada sem nenhuma demonstração de amor, mas apenas impulsionados pelo desejo de tentar Jesus e ver a mulher ser punida. Quando nos deparamos com pessoas em situação de pecado a primeira coisa que deve vir à nossa mente é que devemos agir de maneira justa, mas também graciosa. Sim, a graça deve permear todo julgamento, pois foi a graça e misericórdia de Deus que nos tolerou até aqui. Se a graça de Deus nos alcançou, devemos nós também manifestar graça aos que erram. Isso, porém, não anula a justiça e o direito, que devem ser aplicados. "A ira do homem não opera a justiça de Deus" (Tg 1.20).

Não há "jeitinho brasileiro" com Deus.
Quando os acusadores trouxeram a mulher até Jesus a acusação era de que ela teria sido "surpreendida em adultério". Ora, ninguém adultera sozinho. Onde estava, então, o homem com quem ela adulterou? Por que, ora bolas, os escribas e fariseus não trouxeram o homem junto com a mulher para serem julgados, como mandava a lei de Moisés (Lv 20.10). Eles foram parciais, tendenciosos, talvez preconceituosos e coniventes com o homem adúltero. Para Jesus, não há um "jeitinho brasileiro", aquela burladinha na lei que pode favorecer nossos chegados e conceder "foro privilegiado" a pecadores. Jesus é sempre justo, e como a configuração da situação não se enquadrava na lei, ela não poderia ser aplicada como esperavam os legalistas acusadores. Precisamos, sempre, nos lembrar de que Deus não mima filhos, nem tem um predileto em detrimento de outro. Ele sempre julga justa e retamente todas as pessoas, de igual forma.

Para Jesus, os fins não justificam os meios.
Das várias expressões comuns no arraial evangélico é que "devemos trazer as pessoas aos pés de Jesus". Pois bem, foi isso o que aqueles homens fizeram, trouxeram uma mulher aos pés de Jesus. Porém, qual era sua motivação? Qual sua intenção? As coisas de Deus não podem ser feitas de qualquer jeito, sem o devido cuidado, de forma leviana. Devemos, sim, levar as pessoas aos pés de Jesus, mas para serem curadas e restauradas, e não para "ver o circo pegar fogo". Toda intervenção na vida de alguém deve ter em vista fazer-lhe o bem e buscar a Jesus para restauração, nunca para provar um ponto de vista ou opinião, como era o caso dos acusados da mulher do texto. Na relação com Deus não podemos fazer males para que venham bens (Rm 3.8). Os fins não vão justificar os meios que adotamos, nem as motivações. Deus sonda os corações e conhece as intenções, e julga-lhes adequadamente. Para Deus, falsos santos estão mais distantes Dele do que verdeiros pecadores. Aqueles que são santos aos seus próprios olhos estão mais longe do perdão do que pecadores que se reconhecem como tal.

A advertência universal de Jesus.
De toda lição que este texto pode oferecer, no final sempre acabaremos na advertência que Jesus dá a todo aquele que é perdoado por Ele mediante a fé: "vá e não peques mais". A graça e o perdão de Deus não podem ser zombados (Gl 6.7). Deus não brinca de perdoar, nem reduz o perigo do pecado, e nós faremos muito bem se seguirmos Seu excelente exemplo. Ninguém deve pecar pensando na premissa de ser perdoado por Deus, pois fazer do coração perdoador de Deus um "salvo conduto" para pecar é um pecado maior ainda. Deus é perdoador, e está sempre disponível para todo coração quebrantado e arrependido, mas planejar ou maquinar o pecado antecipando um possível perdão de Deus é repugnante aos Seus olhos santos. O perdão de Deus é só para os que se arrependem (Pv 28.13, Sl 51.17; IJo 1.9).
Se fomos perdoados por Jesus mediante a fé Nele, então devemos lutar para não pecar mais. Isso é arrependimento, mudança de vida. Se esse esforço é real, então quando pecarmos o sangue de Jesus nos purifica de todo pecado (IJo 1.7).
Que estas lições estejam sempre em nosso coração e mente.

Deus abençoe.

sábado, 11 de junho de 2016

Desembaracemo-nos!

"Portanto, também nós, visto que temos a rodear-nos tão grande nuvem de testemunhas, desembaraçando-nos de todo peso e do pecado que tenazmente nos assedia, corramos, com perseverança, a carreira que nos está proposta, olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus, o qual, em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz, não fazendo caso da ignomínia, e está assentado à destra do trono de Deus" (Hb 12.1-2).

A carta aos Hebreus foi escrita com dois propósitos principais: 1) apresentar argumentos escriturísticos e históricos da superioridade de Cristo sobre os anjos, sobre Moisés, a aliança feita no Seu sangue sobre a antiga aliança, Seu sumo sacerdócio sobre o sacerdócio aarônico. 2) encorajar os cristãos hebreus, que suportavam violentas perseguições e privações, a perseverarem firmes na fé e não retroceder.
No capítulo 11 o autor lista, buscando fundamentar seu argumento de que a fé é a esperança que suporta as aflições e adversidades, grandes exemplos de heróis da fé do Antigo Testamento. Esses heróis da fé do Antigo Testamento é que são chamados de "tão grande nuvem de testemunhas" que nos rodeia. O testemunho dos servos de Deus do passado é um brado perpétuo deixado para os cristãos das próximas gerações, incentivando e constrangendo-nos a avançar sempre, sem duvidar da presença e proteção de Deus, e principalmente, sem jamais retroceder. O autor ainda lembra, no verso 4, que na luta contra o pecado os cristãos hebreus ainda não tinham resistido "até o sangue", ou seja, não estavam sendo martirizados como muitos cristãos gentios.
O autor, lembrando que o testemunho dos heróis da fé os rodeia, como que se os observasse esperando uma resistência semelhante a que apresentaram no passado, convoca os cristãos hebreus a desembaraçarem-se de todo peso e do pecado que tenazmente assedia. Essa é uma exortação sempre atual, pois ainda que não estejamos sob uma perseguição tão dura quanto a que o império romano infligiu sobre os cristãos daquela época, o pecado é sempre um adversário presente, seja na perseguição, seja no período de paz. Os "pesos" podem ser entendidos como tudo o que embaraça a vida, ainda que não seja pecado, como o apóstolo Paulo disse: "Todas as coisas são lícitas, mas nem todas convêm; todas são lícitas, mas nem todas edificam" (ICo 10.23). Muitos podem estar embaraçados, por exemplo, em relacionamentos, hábitos, dívidas, mal uso do tempo, etc., coisas que vão embaraçando a vida e roubando pouco a pouco as energias, tempo e dedicação devidos ao Senhor e à carreia que nos está proposta.
Sim, isso mesmo. Há uma carreira proposta para nós, cristãos, e devemos corre-la com perseverança e desembaraçadamente. Devemos nos livrar de tudo o que se torne embaraço e prejudique o desenvolvimento da carreira. Qual a carreira? A carreira da fé, que só pode ser corrida se olharmos firmemente para o Autor e Consumador dessa fé, Jesus Cristo. A carreira da fé é o exercício dela, que envolve a confirmação da fé professada com uma vida de testemunho ativo e frutífero, que se traduz em glórias para Deus através de adoração, comunhão com os irmãos, evangelização e discipulado, serviço/suporte aos necessitados. Essa é a carreira da fé, e precisamos corre-la!
E você? Como vai sua carreira? Está embaraçado com as coisas desse mundo? Pois este é o tempo em que nosso Senhor nos exorta a desembaraçar a vida e correr perseverantes para Sua glória!

Deus abençoe.

segunda-feira, 6 de junho de 2016

Deus não é homem

"Deus não é homem, para que minta; nem filho de homem, para que se arrependa. Porventura, tendo ele prometido, não o fará? Ou, tendo falado, não o cumprirá?" (Nm 23.19)

Uma das informações mais preciosas da Bíblia a respeito de Deus é lida neste pequeno verso incrustado no livro de Números. Temos aqui a revelação de que Deus não é homem. Sim, simplesmente Deus não é homem, e isso faz toda a diferença!
Abrindo um parêntese, diga-se de passagem que o termo "homem" aqui é referência à raça humana, e não ao gênero masculino. A intenção de Moisés ao escrever foi deixar claro que Deus não é humano; ao dizer "Deus não é homem" não quis dizer que "Deus é mulher", mas apenas esclarecer a distinção de Deus, o Criador, e dos homens, criaturas.
Deus não é um ser humano, como muitos gostariam que fosse. Creio que muitos gostariam que Deus fosse humano porque acreditam que assim seria mais fácil identificarem-se e encontrar uma conexão com o divino, com o transcendente. Talvez um homem-deus é mais facilmente compreendido e compreenda melhor nossa condição, sei lá. Mas creio também que a maioria dos que creem no homem-deus são impulsionados pelo anseio de perceber algo divino em si mesmos, o que geralmente é um desdobramento dessa crença, ou seja, acreditando que deus é homem tendem a crer que o homem também é deus, de algum modo, em algum grau. Esse é um ensino, por exemplo, das religiões exotéricas da Nova Era.
Mas a Bíblia afirma categoricamente, Deus não é homem. Moisés exemplifica a abismal distinção dizendo que Deus não pratica nem sente duas coisas próprias dos seres humanos: mentir e se arrepender. Mentir não é um imperativo irresistível à natureza humana, mas tenho muita dificuldade em crer que já houve algum ser humano que nunca mentiu de forma alguma. Arrepender-se significa, aqui, o pesar lamentoso por algo feito, pensado ou sentido algo diferente do que era devido ou diferente da melhor possibilidade, e Deus jamais se arrepende. Nos textos bíblicos que se diz "Deus se arrependeu" disso ou daquilo outro não significam, necessariamente, que Deus se arrependa como o homem. Nestes casos, os autores bíblicos fizeram uso de uma linguagem antropopática[1] para exprimir algo sobre Deus. A segunda parte do verso joga ainda mais luz no entendimento da primeira. Quando se diz que Deus não homem para que minta, nem filho do homem para que se arrependa, as perguntas que se faz, então, são: "tendo prometido, não o fará? Tendo falado, não o cumprirá?", que mostram o sentido de "mentir" e se "arrepender" na mente do autor desse verso. Mentir e se arrepender em Nm 23.19 significam prometer algo e depois mudar de ideia, falar que fará algo e não conseguir cumprir com a palavra empenhada. Deus jamais é assim. Sempre que promete cumpre, tudo o que fala tem a força e a autoridade para cumprir.
Enfim, Deus não é homem. Ele está acima dos homens, além deles. Os homens devem-Lhe adoração e satisfação, não o contrário. Os homens devem-Lhe gratidão e reverência, não o contrário. Deus não é homem, Deus é Deus! E como Deus, Deus pode exigir o que um Deus tem direito: a adoração e subserviência de Sua criação.
Eu não sou Deus. Você não é Deus. Deus não é você. Deus não sou eu. Deus é Deus, eu sou eu, você é você...
Mas, apesar de Deus não ser homem, Ele se fez carne, ou seja, assumiu a forma humana na encarnação de Jesus no ventre de Maria. Sim, veja o que escreveu o apóstolo João: "E o verbo [Jesus] se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai" (Jo 1.14). Jesus, que é Deus, esvaziou-se da glória divina e se fez homem, sem deixar Sua natureza divina. Um ser 100% Deus, mas agora também 100% homem. Este é o maior milagre da existência! Jamais se viu algo semelhante. O Criador assumiu a forma da criatura, humilhou-se a esse ponto! Tudo por amor do Seu próprio Nome e por amor do homem, criado à Sua imagem e semelhança, para salvá-lo da condição e dos efeitos do pecado. Leia com calma Fp 2.5-11; ITm 2.5. É por isso, por ser agora 100% Deus e 100% homem, que o Deus Filho, Jesus, tornou-se o sumo-sacerdote perfeito para todo aquele que Nele crê (Hb 2.17-18; 4.15; 13.12). Pensando nesse milagre incrível foi que Galilleu Gallilei escreveu: "Todo homem quer ser rei; todo rei quer ser deus; mas só Deus quis ser homem" e resumiu tudo.
Ah, que verdade preciosa! Deus não é homem, mas sabe tudo sobre os homens. Ele não é homem, mas, no Filho, foi em tudo tentado, mas não pecou. Ele não é homem, mas em Cristo Jesus conhece todas as nossas dores e sofrimentos, e nos socorre.
Que essa verdade nos console, nos apascente, nos conduza a adorá-Lo em gratidão e reconhecimento.

Deus abençoe.
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[1] Linguagem antropopática é quando o autor bíblico atribui a Deus sentimentos que são próprios da natureza humana, na falta de termos adequados para descrever sentimentos tão sublimes e distantes, próprios da natureza divina, que a linguagem humana é insuficiente para descrever. Faz-se necessário, então, apelar para uma linguagem inteligível, que é a dos humanos.
* A gravura que ilustra esta postagem é o afresco "A Criação", de Michelangelo, pintado entre 1508 e 1512 no teto da Capela Sistina, no Vaticano.

quarta-feira, 1 de junho de 2016

A linguagem do cristão

"Mas a impudicícia e toda sorte de impurezas ou cobiça nem sequer se nomeiem entre vós, como convém a santos; nem conversação torpe, nem palavras vãs ou chocarrices, coisas essas inconvenientes; antes, pelo contrário, ações de graças" (Ef 5.3-4).

A Bíblia fala muito sobre o uso da boca, da língua, da linguagem. No texto acima destaquei a instrução apostólica de que não deve sequer nomear-se entre os crentes conversações torpes, palavras vãs ou chocarrices. O que é isso?
Torpe é aquilo que entorpece, que causa insensibilidade e indiferença moral. Portanto, conversação torpe é aquela que deixa envergonhado e embaraçado a pessoa moralmente sensível.
As palavras vãs são as que em nada contribuem, sem sentido e sem utilidade alguma, que só fazem perder tempo.
As chocarrices são as coisas inconvenientes para um cristão dizer, como piadinhas de duplo sentido e gracejos maliciosos e maldosos.
Para o apóstolo, esse tipo de linguagem não deveria nem sequer nomear entre o povo de Deus.
No entanto, não tem sido essa a realidade. Não é difícil encontrar crentes usando gírias imorais e usando linguagem rude, de baixo calão. Não me refiro a todos os termos informais e expressões culturais, mas àqueles que são inadequados ao pudor e proceder cristão, normalmente oriundas de nichos culturais com valores e costumes frontalmente avesso aos padrões bíblicos.
Crente não fala palavrão, não usa gíria indecente ou maliciosa, nem se dá às conversas vãs e torpes! A boca do ser humano não foi feita para isso. Veja o que mais ensina o apóstolo: "Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, e sim unicamente a que for boa para edificação, conforme a necessidade, e, assim, transmita graça aos que ouvem" (Ef 4.29). Se não for edificar, fique de boca calada! É melhor o silêncio prudente do que a palavra maldita! Se não for transmitir graça aos que ouvem, não transmita desgraça!
A boca do crente tem um papel importante até na conversão, veja: "Se, com a tua boca, confessares Jesus como Senhor e, em teu coração, creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. Porque com o coração se crê para justiça e com a boca se confessa a respeito da salvação" (Rm 10.9-10).
Jesus ensinou que não é o que entra pela boca que contamina (espiritualmente) o homem, mas o que sai dela: "Mas o que sai da boca vem do coração, e é isso que contamina o homem" (Mt 15.18).
O apóstolo Paulo advertiu também aos crentes de Colossos, dizendo: "Agora, porém, despojai-vos, igualmente, de tudo isto: ira, indignação, maldade, maledicência, linguagem obscena do vosso falar" (Cl 3.8). O que ele chamou de linguagem obscena é mais específico do que o termo "conversação torpe" que usou escrevendo aos Efésios. É aquela linguagem erótica, cheia de malícia e depravação, indecorosa e vulgar.
Ao instruir Tito, um grande líder cristão, Paulo ainda o adverte a tornar-se padrão dos fiéis, inclusive com uma "linguagem sadia e irrepreensível, para que o adversário seja envergonhado, não tendo indignidade nenhuma que dizer a nosso respeito" (Tt 2.8).
Sim, o diabo pode acusar aquele que não tem uma linguagem sadia e irrepreensível. Ao invés de envergonha-lo, ele o envergonha. Que lamentável condição para um cristão!!!
De onde os crentes tiram essas gírias e palavrões? O novo na fé, convertido ao Evangelho recentemente, pode ainda estar no processo de "santificação da língua", mas todos devemos nos disciplinar para apresentarmos uma linguagem adequada a Deus e aos homens. Uma fonte muito comum de linguagem torpe são as más companhias. Veja o que Paulo ensinou sobre elas: "Não vos enganeis: as más conversações corrompem os bons costumes" (ICo 15.33). As conversações, aqui (versão ARA), são as influências das más companhias. Elas corrompem bons costumes!
Vamos nos atentar mais para essa questão. Vamos santificar nossa linguagem e glorificar a Deus e envergonhar o adversário.
Em boca de cristão, não há palavrão! Em boca de crente, não há gíria indecente! Viu, até rimou...

Deus abençoe.

segunda-feira, 16 de maio de 2016

Os 7000 que não dobraram os joelhos a Baal

O capítulo 18 do livro I Reis narra a vitória contundente do profeta Elias sobre 450 (isso mesmo! quatrocentos e cinquenta) profetas do deus Baal[1], adorado por Jezabel e seu marido, o rei Acabe. No desafio proposto, Elias permitiu que os profetas de Baal invocassem seu deus para manifestar-se no monte Carmelo, mas ele não o fez (e nem poderia, obviamente, pois não é deus), enquanto o Senhor consumiu o holocausto oferecido por Elias e humilhou Baal e seus profetas. Elias, o único profeta do Senhor, matou então os 450 profetas de Baal às margens do ribeiro de Quisom (IRs 18.40). E isso aconteceu na presença de 400 profetas de Aserá[2] (IRs 18.19).
Após a vitória esmagadora, Elias recebe um recado de Jezabel terrivelmente ameaçador e foge para  o deserto buscando salvar a própria vida. Sentindo-se só e enfraquecido, mesmo depois de alimentado pelo anjo do Senhor, Elias esconde-se numa caverna em Horebe e, questionado pelo Senhor, respondeu: "Tenho sido muito zeloso pelo Senhor Deus dos exércitos; porque os filhos de Israel deixaram o teu pacto, derrubaram os teus altares, e mataram os teus profetas à espada; e eu, somente eu, fiquei, e buscam a minha vida para ma tirarem" (IRs 19.9-10; 13-14). Deus então lhe responde com uma ordem para que ungisse Hazael como rei da Síria, Jeú como rei de Israel e Eliseu como profeta. Mas o que Deus diz em seguida é o nosso foco aqui: "Todavia deixarei em Israel sete mil: todos os joelhos que não se dobraram a Baal, e toda boca que não o beijou" (IRs 19.18). Para quem se sentia só como Elias, receber a notícia de que haviam ainda sete mil conservos fieis foi um santo remédio, pois o verso seguinte começa com a expressão "Partiu, pois, Elias dali...". Ele recobrou os ânimos, revigorou-se na promessa de Deus, encontrou esperança nos servos anônimos de Deus.

Os 7000 que não dobraram os joelhos a Baal.
A primeira pergunta que naturalmente fazemos é: quem são os sete mil que não se dobraram à idolatria? Quem são os remanescentes fiéis? Bom, a Bíblia não diz seus nomes.
Quando passamos por dificuldades e a solidão ronda nosso coração, é comum nos sentirmos abandonados, fracos e impotentes. Elias não foi diferente. Mas perceba que Elias não perguntou quem eram os sete mil, nem onde encontra-los. Ele só precisou saber que eles existem!! Sim, eles existem! Sabe aqueles momentos em que você recebe a notícia de um amigo que se desviou do evangelho, ou fica sabendo de um pastor de deu um tremendo vexame, ou qualquer outra situação que faz parecer que está só e que a obra de Deus nunca será terminada? Pois é, saiba que ainda há servos fiéis ao Senhor, que não se dobraram à idolatria, às concupiscências do mundo ou à soberba da vida. Eles existem! Agora a pergunta é outra: você é um deles? Você faz parte dos que não se dobraram? É tão fácil ceder, tão fácil esmorecer, tão fácil retroceder... Mas nós não somos dos que retrocedem para a perdição (Hb 10.38-39).

Outra lição que podemos aprender aqui é que a santidade não implica em fama. Os sete mil fiéis do Senhor não estavam debaixo dos holofotes e nem tinham seus nomes conhecidos pelos quatro cantos do mundo. Ser santo não atrai a glória dos homens (ITs 2.6; Jo 5.41; 12.43), muito pelo contrário! A Bíblia ensina que "todos os que querem viver piedosamente em Cristo padecerão perseguições" (IITm 3.12). A grande maioria dos santos de Deus na terra são pessoas discretas, anônimas no meio de uma geração perversa e corrompida. Na nossa cultura a palavra "santo" normalmente faz-nos pensar em alguém que se destaca, principalmente pela bondade. Mas a Bíblia diz que a maior parte dos santos passarão pela terra sem reconhecimento dos homens. Entretanto, Deus não se esquece dos seus! Ele conta cada um deles e os guarda e livra.

Não se dobre! Permaneça fiel, sempre!
"... Sê fiel até a morte, e dar-te-ei a coroa da vida" (Ap 2.10b).
"Ao que vencer, dar-lhe-ei a comer da árvore da vida, que está no paraíso de Deus" (Ap 2.7b).
"Ao que vencer, eu lhe concederei que se assente comigo no meu trono" (Ap 3.21).

Deus abençoe!
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[1] Baal foi um deus fenício adorado pelos cananitas e outros povos do antigo oriente. Era o deus da fertilidade e senhor dos deuses.
[2] Aserá, também chamada Astarote (cf. Jz 2.13), foi uma deusa adorada também pelos cananitas. Esposa de Baal era a deusa da fertilidade, e os rituais dedicados a ela e seu marido Baal eram regados à bebedeiras e orgias, muito semelhantes aos bacanais romanos posteriores.
[*] A pintura que ilustra esta postagem é "Elias", do pintor maneirista e escultor italiano Daniele Ricciarelli, mais conhecido como Daniele da Volterra (1509-1566), que foi discípulo do grande Michelangelo.

sábado, 7 de maio de 2016

Como vão teus olhos???

"São os teus olhos a lâmpada do teu corpo; se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo será luminoso; mas, se forem maus, o teu corpo ficará em trevas" Lc 11.34

Vivemos numa era imagética. Nunca fomos tão influenciados pela imagem, pelo que vemos, como na era dos recursos visuais em que vivemos. A tecnologia da comunicação tem atingido públicos outrora inacessíveis, e a rainha delas é a internet!

Internet, o paraíso da pornografia
Dentro do universo insondável da internet e seu emaranhado de possibilidades e informações um velho pecado encontrou seu "paraíso". A pornografia fez da internet seu principal canal de acesso ao consumidor que, seguro na confidenciabilidade do seu próprio lar, consome a pornografia sem sofrer as repressões e estigmas que vinham sobre os frequentadores de cinemas eróticos e compradores de revistas masculinas de décadas passadas. Afinal de contas, com a internet ninguém fica sabendo, né.
Segundo a editora Abril, 12% dos sites da internet são de conteúdo pornográfico (> 76 milhões de sites). 25% das pesquisas em ferramentas de busca envolvem sexo (> 750 milhões de consultas diárias). 35% dos downloads são pornográficos. 8% dos e-mails enviados diariamente contém pornografia. US$ 6,7 bilhões são gerados com a webpornografia por ano só nos EUA[1].
Como toda essa facilidade de acesso à pornografia, boa parte gratuito, não espanta saber que a grande maioria das pessoas consomem pornografia regularmente.

Os perigos da pornografia[2]
A Bíblia ensina que a pornografia é pecado, pois é impossível consumir pornografia sem infringir os limites que Deus estabeleceu para a sexualidade humana. Ninguém consegue ver um vídeo pornográfico sem mentalizar sobre sexo. A imaginação humana não conhece limites. A pornografia estimula desejos que não são biblicamente corretos, como o adultério, a visualização da nudez alheia, as formas pervertidas de sexo, etc. (ICo 6.9; Lv 18.6-19).
Além disso, a pornografia vicia. Sim, vicia sim. E não é só vê-la e ouvi-la, mas a masturbação vem junto. E a despeito do que advogam algumas pessoas e correntes científicas, a masturbação também vicia e não é a forma correta de "descobrir o próprio corpo". A sexualidade humana deve ser descoberta e desfrutada no ambiente do casamento, onde o casal cresce e amadurece sua sexualidade juntos e em harmonia (ICo 7.2-4). Consumidores de pornografia tendem a projetar no cônjuge expectativas que foram formadas pelos ideais de sexualidade absorvidos do material pornográfico, e isso sempre resultará em danos ao casamento.
Há, seguramente, mais pessoas viciadas em pornografia e masturbação do que viciadas em crack, cocaína, maconha, bebida, ou qualquer outra droga.

A solução está em Cristo e nos olhos
Se você consome pornografia, ou está viciado nela e na masturbação, o problema é muito sério! Não trate este problema como coisa simples, pois não é. O início de qualquer restauração é admitir o problema e fazer um diagnóstico preciso e realista. Devemos tratar o pecado com a seriedade que a Bíblia o faz. Peça ajuda para vencer o problema, pois como em todo vício, quase sempre não conseguimos vencer sozinhos (Pv 18.1).
Jó afirmou que fez aliança com seus olhos para não fixa-los em alguma donzela (Jó 31.1), tal era seu comprometimento com a santidade. O salmista disse que não colocaria coisa impura diante dos seus olhos (Sl 101.3). Salomão advertiu para não cobiçarmos a formosura da mulher adúltera nem nos rendermos às atrações dos nossos olhos (Pv 6.25). Jesus ensinou que olhar para uma mulher com intenção impura é pecado como o adultério (Mt 5.28). Fica claro para nós que a solução para o problema da pornografia envolverá diretamente o que vemos, o que colocamos diante dos olhos, pois eles são a lâmpada de todo o corpo (Mt 6.22). Ao contrário, encher a mente com coisas santas limpará a fonte dos pensamentos e desejos (Fp 4.8).
Acima de tudo, apegar-se a Deus pela oração e dispor-se de forma resolvida a conhecer e praticar a verdade, pois a verdade de Cristo é que liberta (Jo 8.32, 36).
Enfim, podemos nos apegar a graça e misericórdia de Deus, que estão sempre disponíveis.
"Porquanto a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens, educando-nos para que, renegadas a impiedade e as paixões mundanas, vivamos, no presente século, sensata, justa e piedosamente" (Tt 2.11-12).

Deus abençoe.
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[2] Confira a pesquisa do BEPEC (Bureau de Pesquisa e Estatística Cristã) sobre o sexo entre os evangélicos. <http://www.bepec.com.br/pesquisa.html>