Mostrando postagens com marcador sabedoria. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador sabedoria. Mostrar todas as postagens

sábado, 8 de outubro de 2022

Aprenda a fugir!

“Foge, outrossim, das paixões da mocidade. Segue a justiça, a fé, o amor e a paz com os que, de coração puro, invocam o Senhor” (IITm 2.22)
“... traidores, atrevidos, enfatuados, mais amigos dos prazeres que amigos de Deus, tendo forma de piedade, negando-lhe, entretanto, o poder. Foge também destes” (IITm 3.4-5)

É interessante notar que o apóstolo Paulo escreve para um colega pastor e, por duas vezes, o instrui a fugir. Um cristão que foge??? Como assim???

quarta-feira, 14 de setembro de 2022

O Princípio da Sabedoria

 

"O temor do Senhor é o princípio do saber, mas os loucos desprezam a sabedoria e o ensino" (Pv 1.7)

    Onde começa a verdadeira sabedoria? Qual seu princípio mais fundamental?

    Muitos diriam que a sabedoria começa na aquisição de conhecimento, no acúmulo de informações. É comum a confusão que se faz entre uma pessoa cheia de conhecimento e a cheia de sabedoria. Claramente há, de fato, uma relação entre o conhecimento e a sabedoria, pois é sábio amar e adquirir conhecimento. Porém, ser sábio não é, necessariamente, possuir grande soma de conhecimento.

quinta-feira, 1 de setembro de 2022

Nós Temos a Mente de Cristo

"Entretanto, expomos sabedoria entre os experimentados; não, porém, a sabedoria deste século, nem a dos poderosos desta época, que se reduzem a nada; mas falamos a sabedoria de Deus em mistério, outrora oculta, a qual Deus preordenou desde a eternidade para a nossa glória; sabedoria essa que nenhum dos poderosos deste século conheceu; porque, se a tivessem conhecido, jamais teriam crucificado o Senhor da glória; mas, como está escrito: Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam. Mas Deus no-lo revelou pelo Espírito; porque o Espírito a todas as coisas perscruta, até mesmo as profundezas de Deus. Porque qual dos homens sabe as coisas do homem, senão o seu próprio espírito, que nele está? Assim, também as coisas de Deus, ninguém as conhece, senão o Espírito de Deus. Ora, nós não temos recebido o espírito do mundo, e sim o Espírito que vem de Deus, para que conheçamos o que por Deus nos foi dado gratuitamente. Disto também falamos, não em palavras ensinadas pela sabedoria humana, mas ensinadas pelo Espírito, conferindo coisas espirituais com espirituais. Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente. Porém o homem espiritual julga todas as coisas, mas ele mesmo não é julgado por ninguém. Pois quem conheceu a mente do Senhor, que o possa instruir? Nós, porém, temos a mente de Cristo" (ICo 2.6-16)

terça-feira, 28 de junho de 2016

Prudência: pensar antes de agir!

"Não é bom proceder sem refletir, e peca quem é precipitado" (Pv 19.2)

A vida é uma coisa interessante. Ela vai acontecendo e aprendemos coisas tão importantes, que as vezes são também tão simples, e ficamos chocados com o fato de não termos notado essas coisas antes. Como foi que eu não percebi isso antes? Onde é que eu estava com a cabeça que não me toquei antes? Essas são perguntas que surgem quando nos deparamos com algumas dessas lições simples e importantíssimas que aprendemos com o tempo.
Uma dessas coisas é a chamada prudência. O dicionário Houaiss[1] define prudência da seguinte forma: "1. virtude que faz prever e procura evitar as inconveniências e os perigos; cautela, precaução; 2. calma, ponderação, sensatez, paciência ao tratar de assunto delicado ou difícil". É essa paciência ao tratar assuntos, essa habilidade de ponderar calmamente, com siso, para evitar inconveniências que não é uma característica comum do início da vida. A juventude é, normalmente, marcada por uma dose considerável da imprudência, e é nessa fase da vida que a maioria de nós cometemos as maiores burradas, das quais nos lembraremos para sempre; algumas tornar-se-ão motivos de boas risadas, outras de lamentos terríveis...
Ser prudente é ser sensato, precavido, cauteloso. É refletir antes de tomar decisões, antes de agir. Repito o texto acima para nossa fixação: "Não é bom proceder sem refletir, e peca quem é precipitado" (Pv 19.2). Ah, se nos lembrássemos desse texto sempre que uma decisão está para ser tomada... Talvez algumas cicatrizes em nosso corpo, outras no coração, não estivem lá. Quem não lamenta algum investimento daquele dinheirinho suado que custamos juntar, mas que terminou em prejuízo. Quem não lamenta aquele tempão que gastamos em algo que, no final, se mostrou desperdiçado. Quem não lamenta - e aqui creio que todos se enquadram - aquela compra onde escolhemos o produto mais barato, mas morremos de raiva quando o produto quebrou ou não funcionou, e foi preciso comprar outro, melhor e mais caro dessa vez... Ah, se a prudência estivesse lá para nos alertar...
Temos a tendência de agir sem pensar, sem refletir. Ser impulsivo é algo comum, principalmente na geração dos estímulos em que vivemos. As pessoas compram por impulso, agem por impulso, namoram por impulso... e principalmente, falam por impulso. O sábio tinha razão: "No muito falar não falta transgressão, mas o que modera os lábios é prudente" (Pv 10.19). Isso vale para todas as áreas da vida. Prudência é controlar os impulsos, e agir somente depois de refletir sobre as possibilidades. Jesus falou sobre o homem que age por impulso e, depois, amarga a vergonha e o prejuízo. Leia atentamente:
"Pois qual de vós, pretendendo construir uma torre, não se assenta primeiro para calcular a despesa e verificar se tem os meios para a concluir? Para não suceder que, tendo lançado os alicerces e não a podendo acabar, todos os que a virem zombem dele, dizendo: Este homem começou a construir e não pôde acabar" (Lc 14.28-30).
A Bíblia recomenda fortemente a prudência e a moderação (Pv 1.4; Mt 7.24; 10.16; 24.45; 25.2-9; Ef 1.8; Fp 4.5; IITm 1.7). Não se deixe levar pelos impulsos, reflita antes de decidir e agir. Desenvolva o hábito de planejar, se aconselhar e ouvir o Senhor. Busque o fruto do Espírito Santo (Gl 5.22-23), que traz consigo o domínio próprio, virtude que impõe rédeas aos impulsos. Não seja refém da pressa e da ansiedade, mas procure exercitar a virtude da paciência e da longanimidade, que também estão no fruto do Espírito. Não se iluda com a propaganda, o marketing e outras formas de 'mentira legalizada', que se alimentam exatamente da impaciência e imprudência alheia. Não se deixe convencer facilmente, mas firme-se na verdade. Seja sábio e prudente em tudo!
E você? Como tem vivido? Prudente ou imprudentemente? Pense nisso!

Deus abençoe.
______________________
[1] Dicionário Eletrônico Houaiss, versão 3.0, junho de 2009.

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Crescendo diante de Deus e dos homens

Jesus ensina no templo com 12 anos
"O menino crescia e se fortalecia em espírito. E viveu nos desertos até ao dia em que havia de manifestar-se a Israel" (Lc 1.80). "E crescia Jesus em sabedoria, estatura e graça, diante de Deus e dos homens" (Lc 2.52).

Os dois primeiros capítulos do Evangelho de Lucas terminam com versos muito semelhantes. Lucas, um médico (Cl 4.14), historiador (Lc 1.3), missionário (Fm 1.24) e evangelista era muito atento aos detalhes, como é próprio dos homens da ciência. Ele gosta de encerrar trechos do seu Evangelho com versos que resumem a ideia exposta nos anteriores, e os dois versículos que lemos acima são prova disso.
O primeiro verso fala sobre João Batista; o segundo, sobre Jesus. Estes dois homens aparentados (Maria era parente de Isabel, mãe de João - Lc 1.36) nasceram na mesma época e tinham idade pareada (Lc 1.39-42).
Pouquíssimo se sabe sobre a infância e adolescência dos dois. Entretanto, isso não é de se estranhar, pois o propósito da Bíblia não era registrar a vida toda dos dois, mas apenas o que importava para evidenciar Jesus como Cristo e João como Seu precursor. Todavia, Lucas nos brinda com estes dois versos que resumem este período de silêncio histórico da vida dos dois.
Jesus cresce em sabedoria
Jesus, encarnado na concepção miraculosa do Espírito Santo em Maria (Lc 1.26-38), nasceu e cresceu como um ser humano, passando pelas fases da vida. Lucas diz que Ele crescia em sabedoria, estatura e graça, diante de Deus e dos homens. Ao falar de João, diz que ele crescia e se fortalecia em espírito, mas não diz que ele crescia em graça diante dos homens. Entende-se que João crescia espiritualmente, mas nas relações sociais, diante dos homens, parece que ele não pôde desfrutar da mesma condição de Seu mestre. Talvez pelo fato de viver no deserto desde novo até o dia em que começou seu ministério, já adulto, não construiu muitos relacionamentos sociais que lhe permitissem "cair na graça" dos homens. É possível também que a personalidade de João fosse bem diferente da de Jesus, pois seu ministério severo e de duras palavras parecem indicar isso, o que dificultaria ainda mais que se tornasse atraente para amizades. Mas, no final, só podemos fazer conjecturas aqui; o fato é que ele não contou com a mesma graça que Jesus obteve diante dos homens durante aquela fase da vida. Já Jesus crescia em graça diante de Deus e dos homens, além de crescer em sabedoria e estatura.
O que quero destacar aqui é que, tanto João quanto Jesus, cresceram diante de Deus, e não somente diante dos homens. Vivemos um tempo em que há uma pressão muito grande sobre o indivíduo para que ele cresça diante dos homens. Precisamos crescer profissionalmente, financeiramente, intelectualmente, socialmente, etc. A concorrência está cada vez mais selvagem, e a lei do mundo é que o "maior engole o menor", portanto, a ordem é cresça o mais rápido possível. Nessa pressão muitas vezes o cristão, quando se dá conta, está tão envolvido na luta pelo crescimento diante dos homens que esquece de crescer diante de Deus. Ele conquista muita coisa diante dos homens, mas se perde diante de Deus ou, no mínimo, sua fé fica estagnada, e acaba esfriando e perdendo o primeiro amor.
Jesus cresce diante dos homens
Convido você a refletir nisso. Ainda vivemos neste mundo, e isso traz consigo os desafios da vida humana. Precisamos, sim, crescer diante dos homens. Só não podemos parar de crescer espiritualmente. Não podemos parar de crescer em sabedoria e graça diante de Deus. Quem pára de crescer em sabedoria e graça diante de Deus pode até ganhar o mundo inteiro, mas perderá a alma. Leia com atenção o que Jesus disse: "Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?" (Mc 8.36). O autor da carta aos Hebreus fala duramente contra a estagnação espiritual daqueles crentes, dizendo: "Pois, com efeito, quando devíeis ser mestres, atendendo ao tempo decorrido, tendes, novamente, necessidade de alguém que vos ensine, de novo, quais são os princípios elementares dos oráculos de Deus; assim, vos tornastes como necessitados de leite e não de alimento sólido. Ora, todo aquele que se alimenta de leite é inexperiente na palavra da justiça, porque é criança. Mas o alimento sólido é para os adultos, para aqueles que, pela prática, têm as suas faculdades exercitadas para discernir não somente o bem, mas também o mal" (Hb 5.12-14). Aqueles crentes pararam de crescer! Pelo tempo, já deveriam estar ensinando outros, mas estavam precisando voltar a serem ensinados nas coisas mais elementares da fé cristã. O autor ainda diz que é a prática que exercita as faculdades do discernimento e produz crescimento.
O crente que pára de crescer espiritualmente, em sabedoria e graça diante de Deus, corre um sério risco!
Não pare de crescer diante dos homens, mas principalmente diante de Deus. Busque na prática cristã o crescimento na graça diante de Deus. Que Ele nos perdoe pela estagnação espiritual e nos ajude a crescer diante Dele!

Deus abençoe.

sábado, 14 de maio de 2016

A sabedoria estava longe de mim...

Salomão é, depois de Jesus, o personagem bíblico considerado mais sábio. Sua sabedoria tornou-lhe famoso na sua época (Mt 12.42). Era entendido em muitos assuntos e conhecedor de várias ciências (Ec 1.13, 17). Ele mesmo descreve que chegou a pensar que havia sobrepujado em sabedoria todos os que vieram antes dele (Ec 1.16). No final do livro de Eclesiastes, ele diz que ensinou ao povo e registrou muito do seu conhecimento e sabedoria (Ec 12.9).
Mas, o que me chamou a atenção foi uma de suas declarações no meio do livro de Eclesiastes. Não há dúvida de que todo o esforço de Salomão rendeu-lhe conhecimento e sabedoria diferenciadas que se destacavam. Impressiona, entretanto, a conclusão de ele chega diante de tudo isso. Ele escreveu: "Tudo isto experimentei pela sabedoria; e disse: tornar-me-ei sábio, mas a sabedoria estava longe de mim. O que está longe e mui profundo, quem o achará?... Eis o que achei, diz o Pregador, conferindo uma coisa com outra, para a respeito delas formar o meu juízo, juízo que ainda procuro e não o achei... Eis o que tão somente achei: que Deus fez o homem reto, mas ele se meteu em muitas astúcias" (Ec 7.23-24, 27-28a, 29).
Salomão descobriu que toda a sabedoria e conhecimento que havia acumulado era nada diante do que havia por conhecer, um grão de areia no oceano...
Quando penso que essa conclusão foi a obtida por ninguém menos que Salomão, filho de Davi, a única coisa que passa pela minha cabeça é a seguinte: quem sou eu para me julgar sábio? Quem sou eu para me julgar conhecedor de algo? No final das contas, não sabemos de nada! Ninguém sabe nada quando comparado ao mistério que é a verdade perfeita, o conhecimento de Deus! Só Deus, em Sua onisciência, sabe de tudo. Nós, pessoas humanas, sabemos muito pouco. Nadamos numa gotícula de orvalho, crendo estarmos mergulhados no Pacífico!
Uma vez ouvi de um mestre que "a meia verdade é pior do que a mentira, e o meio saber pior do que não saber". À época, eu não entendi o que quis significar. Hoje entendo que ele quis me ensinar que conhecer pouco e julgar que conhecemos muito faz mais mal que bem, pois enganamos a nós mesmos com a ilusão de que sabemos, quando não sabemos. Ser ignorante quanto a ignorância é a raiz da presunção e da petulância, enquanto a consciência da ignorância conduz à humildade. Se ao filósofo grego Sócrates (séc. V a.C.) é atribuído o axioma "só sei que nada sei", temos em Salomão (séc. X a.C.), que viveu cinco séculos antes, um reconhecimento parecido da limitação que caracteriza o ser humano.
Enfim, devemos reconhecer nossa falibilidade, nossa fragilidade, nossa ignorância. A verdade é que a sabedoria está longe! Mas, é o próprio Salomão quem incita a busca-la: "Feliz o homem que acha sabedoria, e o homem que adquire conhecimento" (Pv 3.13). "Quanto melhor é adquirir a sabedoria do que o ouro! E mais excelente, adquirir a prudência do que a prata!" (Pv 16.16). Salomão também aponta a fonte da sabedoria, orientando todo aquele que deseja tornar-se cada vez menos ignorante e mais sábio:
"se buscares a sabedoria como a prata e como a tesouros escondidos a procurares, então, entenderás o temor do Senhor e acharás o conhecimento de Deus. Porque o Senhor dá a sabedoria, e da sua boca vem a inteligência e o entendimento" (Pv 2.4-6).
Sejamos humildes o suficiente para admitirmos que não sabemos tudo, e que o que sabemos, se sabemos, é pouco. Mas continuemos a buscar a sabedoria em Cristo, pois "Nele estão escondidos todos os mistérios da sabedoria e da ciência" (Cl 2.3).

Deus abençoe.

segunda-feira, 2 de maio de 2016

A humildade de um coração sábio

O Salmo 90 é um cotejo entre a eternidade de Deus e a fragilidade do homem. O primeiro verso já deixa muito clara a distância abismal que há entre o Criador e a criatura, dizendo: "Senhor, tu tens sido nosso refúgio, de geração em geração", ou seja, as gerações humanas passam, mas o Senhor permanece durante todas elas. Deus é de eternidade a eternidade, ou como João diria, Ele é "o Alfa e o Ômega, o Primeiro e o Último, o Princípio e o Fim" (Ap 22.13). Para Ele, mil anos são como um dia (vs. 4). Em contrapartida, o homem é como uma planta que floresce pela manhã, mas à tarde já murcha e seca (vs. 5-6). Sua vida é nada comparada à eternidade de Deus (vs. 10).


Um resumo da vida de Moisés
Quem escreveu o salmo 90 foi Moisés, o grande legislador de Israel que, apesar de filho de hebreus, foi criado na corte do Egito como príncipe e neto adotivo do poderoso faraó, governante supremo da nação mais poderosa do mundo naquela época. Foi educado em toda a ciência do Egito e era poderoso em palavras e obras (At 7.22). Mas Moisés foge para o deserto após matar um egípcio em defesa de um escravo hebreu, seu compatrício, pois faraó procurava matá-lo (Ex 2.15). Contava com 40 anos na ocasião (At 7.23). No deserto de Midiã casa-se com Zípora, filha de Jetro, sacerdote da região. Após 40 anos no deserto apascentando o rebanho da família, Deus lhe ordena que volte ao Egito para libertar o povo hebreu da opressão egípcia (At 7.30). Moisés volta ao Egito com 80 anos de idade. Conhecemos a história: ele é usado por Deus para desencadear as famosas 10 pragas, que culminam na morte dos primogênitos egípcios, sai com o povo hebreu do Egito, é cercado às margens do Mar Vermelho, que Deus abre e livra Seu povo. No deserto Moisés passa mais 40 anos liderando o povo hebreu (At 7.36), ao final dos quais morre  aos 120 anos, deixando Josué como líder sucessor do povo.

Moisés foi um milagre vivo, pois foi poupado ao nascer do decreto de faraó em vigor que mandava matar todo hebreu nascido menino (Ex 1.16). Na direção do povo hebreu testemunhou mais milagres e manifestações do poder de Deus do que a maioria dos homens que já viveram. Viu a sarça que queimava sem se consumir (Ex 3.2); viu as pragas sobre o Egito (Ex 7.14 - 11.7); viu o Mar Vermelho se abrir (Ex 14.15ss); viu o maná cair do céu para alimentar o povo faminto (Ex 16); viu água sair da Rocha (Ex 17.6); viu a nuvem que acompanhava o povo durante o dia para protege-lo do sol do deserto, e a coluna de fogo durante à noite para protege-los do frio e iluminar (Ex 13.21); viu as roupas e sandálias crescerem com o corpo das crianças, sem se gastarem (Dt 29.5); viu a serpente de bronze que o picado por cobra era curado ao olha-la (Nm 21.9); viu o dedo de Deus escrever os dez mandamentos na pedra (Ex 31.18); viu Deus livra-lo de vários povos inimigos no deserto; e acima de tudo, falou com Deus como amigo, face a face, e ainda pôde ver a glória de Deus manifestada visivelmente (Ex 33.11, 17-23).

Lições de um humilde sábio
Só as experiências de Moisés impressionam qualquer pessoa. Viveu um terço da vida como príncipe rodeado de riquezas, outro terço como simples pastor de ovelhas no deserto, outro terço como líder do povo de Deus. Experimentou de tudo. Viu de tudo. Fez de tudo. Viu os maiores milagres....
Mas, pensemos. Moisés escreve o salmo 90 durante a caminhada com o povo hebreu no deserto. Portanto, tinha entre 80 e 120 anos de idade quando o escreveu. Se ficarmos na média, podemos supor que tinha 100 anos...
Imagine só, um homem de 100 anos, muito bem vividos, com toda a experiência de Moisés, escrever o salmo 90 e fazer o pedido mais surpreendente no verso 12: "Ensina-nos a contar os nossos dias, para que alcancemos coração sábio". Você percebe que quem está pedindo um coração sábio é Moisés, com cerca de 100 anos de idade? Com toda aquela experiência? Isso é a humildade em sua maior maturidade! O próprio pedido de Moisés revela que ele já tinha um coração sábio o suficiente para perceber o valor da sabedoria (cf. Nm 12.3[1])!
Quantas vezes nos achamos sábios e entendidos demais para ouvir uma instrução ou sermos repreendidos quando erramos? Como é corriqueira a arrogância, a petulância e presunção... Como é cada vez mais difícil encontrar pessoas ensináveis, que valorizam a correção e a instrução (Pv 3.11-12, 4.13 13.18), que buscam ardentemente um coração sábio.
Precisamos aprender com Moisés e perceber nossa fragilidade, brevidade e carência. Precisamos aprender a buscar um coração mais humilde! O Único que pode nos ajudar a obtê-lo é o Senhor, que não tem somente 120 anos de experiência como Moisés, mas é Deus de eternidade à eternidade, de geração em geração, Todo-Sábio.
Que Deus nos perdoe os pecados, e nos ajude na busca por um coração sábio.

Deus abençoe.
___________________
[1] Segundo o pastor e teólogo Dr. Luiz Sayão, neste texto de Nm 12.3 a palavra hebraica seria melhor traduzida por "humilde", do que por "manso". Algumas traduções brasileiras da Bíblia que usam a palavra "humilde" são: NTLH (Nova Tradução na Linguagem de Hoje); SBB (Sociedade Bíblica Britânica) e a Tradução Brasileira.